Intel · Rio de Janeiro · Censo OAE

O Rio de Janeiro não sabe quantas pontes tem.

Mapeamos 709 estruturas federais uma a uma, nomeadas e georreferenciadas, e dimensionamos outras três camadas de gestão a partir do que os próprios órgãos declaram: 1.203 estaduais, 296 na capital e quatro municípios sem dado nenhum. Encontramos quatro pontes com risco tangível de colapso, nomeadas, com quilômetro e nota oficial. Encontramos 52 pontes órfãs, sem inspeção há dois anos e oito meses. E encontramos algo maior que qualquer uma delas: o cadastro oficial não bate com a realidade.

709
Federais cadastradas
Nomeadas, com rodovia, km, tipo e coordenada. Todas listadas aqui
1.203
Estaduais
Declaradas pelo próprio DER-RJ em edital vigente
296
Municipais · capital
OAEs vistoriadas pelo controle externo na Área de Planejamento 3. O total do município não foi obtido e segue como lacuna
4
Risco de colapso
Nota 1 da NBR 9452:2023. Nomeadas neste relatório
02 · Números do Rio de Janeiro

Quatro universos, quatro donos, quatro realidades.

Cada camada tem gestor próprio, orçamento próprio e ciclo de decisão próprio. Quem vende para o estado precisa saber com quem está falando.

UniversoEstruturasQuem gereQualidade do dado
Federal concedido≥8925 concessionáriasInventário nominal com nota por estrutura
Federal direto113–114DNIT · SRE-RJFaixa, não número único · nota quase toda fechada
Estadual1.203DER-RJTotal declarado, sem inventário público
Municipal · capital296Controle externo · AP-3Universo de uma área de planejamento, não do município
Municipal · Niterói, S. Gonçalo, Caxias, Campos?4 prefeiturasZero dado público

Os 709 do cadastro federal e os ≥892 dos relatórios das concessionárias medem a mesma malha e não batem. A diferença é o achado da seção 08.

315
Pontes
287
Viadutos
86
Passarelas
21
Outros
Pontilhões, túneis, passagens e 2 inservíveis
03 · Mercado

As concessionárias federais respondem por ≥892 estruturas no estado.

Todas têm obrigação contratual de manter as estruturas, e todas prestam contas ao regulador com relatório anual de monitoração. É onde a nota de inspeção existe, e é o que sustenta o achado central desta seção: o inventário reportado ao regulador é maior que o cadastro do gestor.

ConcessionáriaGrupoRodovia · trecho RJOAEsOrigem da contagem
EcoRioMinasEcoRodoviasBR-116, BR-465, BR-493353Relatório ANTT out/2025
CCR RioSPCCR · MotivaBR-116 Dutra + BR-101 Rio-Santos218Relatório ANTT, sem nº de documento
Autopista FluminenseArterisBR-101 Norte212Relatório ANTT, sem nº de documento
EloviasConsórcio Nova Estrada RealBR-040 · BR-495≈109Contagem manual dos códigos "040 RJ", em relatório da CONCER
EcoponteEcoRodoviasPonte Rio-Niteróinão publicadocontagem não publicada

A Ecoponte não publica contagem discreta de estruturas do trecho. Os valores de investimento e os prazos de contrato de cada concessionária não estão nesta versão: dependem dos contratos de concessão publicados pela ANTT, que não foram lidos nesta onda. Estão na seção 16 como lacuna declarada.

Titularidade da BR-040: o trecho é da Concessionária Elovias S.A. desde 4 de novembro de 2025, por contrato ANTT assinado em 02/10/2025, 30 anos, 218,9 km, incluindo a BR-495. A CONCER administrou de 1996 a 2025 e consta na ANTT como contrato encerrado. A contagem de ≈109 OAEs foi extraída de relatório da CONCER, da época em que era titular: a origem da contagem e o gestor de hoje são fatos distintos.

R$ 35,7 mi

Edital estadual, suspenso

O DER-RJ abriu concorrência para inventariar e projetar a recuperação das 1.203 estruturas do estado. O certame está suspenso, sem vencedor, sem aviso que explique o motivo. Nada foi adjudicado. Detalhe na seção 16.

dez/2026

Leilão da BR-393

A BR-393 perdeu a concessionária por caducidade e volta a leilão em dezembro de 2026. As 52 estruturas da seção 06 entram no contrato de quem ganhar, com o passivo acumulado em 2 anos e 8 meses sem inspeção pública. A ficha oficial do Ministério projeta Capex de R$ 3,05 bi e Opex de R$ 3,11 bi, com edital em setembro de 2026. Ver seção 16.

04 · A norma do estado

Os seis graus da NBR 9452:2023.

Esta é a norma que rege o Rio de Janeiro. O edital do DER-RJ determina que a inspeção siga as normas técnicas pertinentes, "em especial [pela] NBR 9452-2023". Ela classifica cada estrutura de 0 a 5, e nota 1 não é rótulo administrativo: é a definição técnica de uma ponte que pode cair.

NotaCondiçãoO que significa
0 Emergencial Há elementos estruturais principais já colapsados, evoluindo para instabilidade da estrutura. A obra não apresenta condições funcionais de uso. Exige intervenção imediata, que pode incluir restrição de carga, interdição de tráfego ou escoramento provisório.
1 Crítica Há elementos com deterioração em regiões localizadas apresentando risco tangível de colapso, exigindo intervenção estrutural localizada e imediata.
2RuimDeterioração relevante, com comprometimento de desempenho, mas sem risco tangível de colapso identificado.
3RegularProblemas presentes, sem sinais de comprometimento da estabilidade.
4BoaDanos pontuais, sem insuficiência estrutural.
5ExcelenteSem danos nem insuficiência, nos parâmetros estrutural, funcional e de durabilidade.

A NBR 9452:2023 avalia três parâmetros por estrutura: estrutural, funcional e de durabilidade. A nota final reflete o mais grave entre eles. As descrições acima resumem o conteúdo da norma; a íntegra é publicação licenciada da ABNT e não é reproduzida aqui.

Diferença que precisa estar clara. As notas das estruturas citadas neste relatório vêm dos relatórios oficiais de inspeção, que aplicam a escala do DNIT (010-PRO), de 1 a 5, sem o grau 0. A norma do estado, NBR 9452:2023, acrescenta a nota 0 (emergencial), para estrutura com elemento principal já colapsado. As duas escalas coincidem na direção e no significado do grau crítico: em ambas, nota 1 é "risco tangível de colapso". Nenhuma estrutura do Rio foi encontrada com nota 0 nas fontes públicas consultadas, o que não é o mesmo que dizer que não exista.

O que a norma prevê para uma ponte crítica. A norma do DNIT (010/2004-PRO) diz que a recuperação "deve ser feita sem tardar" e que, "em alguns casos", a situação "pode configu[r]ar uma situação de emergência, podendo a recuperação da obra ser acompanhada de medidas preventivas especiais, tais como: restrição de carga na ponte, interdição total ou parcial ao tráfego, escoramentos provisórios, instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações etc." Ou seja: a norma nomeia a instrumentação contínua entre as medidas cabíveis para a estrutura em risco. Ela não a torna obrigatória: o texto é condicional e exemplificativo. Texto descrito, não reproduzido: a íntegra da NBR 9452:2023 é licenciada pela ABNT.

Ressalva que é justo registrar: nota baixa indica prioridade técnica de reparo, e não é o mesmo que declaração de que a estrutura esteja interditada ou impedida de operar. Nota não é interdição. Mas é o gatilho normativo da ação. Leitura da equipe a partir da escala normativa descrita acima, não citação de fonte: não localizamos declaração oficial nesses termos e por isso ela não aparece aqui entre aspas.

05 · Risco de colapso

Quatro estruturas nota 1. Todas nomeadas.

Nota 1, na NBR 9452:2023 e na escala do DNIT, é a mesma coisa: risco tangível de colapso. Dois achados independentes, de fontes, datas e administradores diferentes.

Malha federal direta · BR-354 · gestão DNIT

EstruturakmExtensãoRelevânciaNota
Ponte sobre o Rio Palmital5,8133 mBaixa1
Ponte sobre o Rio Salto II11,1233 mBaixa1
Ponte sobre o Rio Salto I14,6040 mAlta2

Fonte: relatório de gestão oficial do órgão federal. Avaliação de 2021, cinco anos atrás. É a nota mais recente publicamente disponível para estas estruturas, não a condição de hoje. As três estão na mesma rodovia, sob a mesma unidade local.

Malha federal concedida · BR-465 · EcoRioMinas

EstruturakmMovimentoMotivoNota
Passagem Inferior · Pista Sul22,1204 → 1Fissuras sistemáticas em vigas1
Passagem Inferior · Pista Sul22,1504 → 1Fissuras sistemáticas em vigas1

Rebaixadas de nota 4 para nota 1 em inspeção extraordinária de 26 de setembro de 2025. Duas quedas de três níveis de uma vez, na mesma rodovia, com poucos meses de intervalo. Únicas nota 1 confirmadas entre as quatro concessionárias cujos relatórios foram lidos (Autopista Fluminense, CONCER, K-Infra e EcoRioMinas). CCR RioSP e Ecoponte não foram fechados.

06 · Rodovia sem dono

52 pontes órfãs. Sem inspeção há dois anos e oito meses.

A concessão da BR-393 caducou em 2025 por "descumprimento de cláusulas contratuais e disposições legais", nos termos do Decreto 12.479, de 2 de junho de 2025. Os 182,5 km voltaram à administração direta do órgão federal em 10 de junho de 2025. Com eles, 52 estruturas cujo último inventário público é de novembro de 2023. Abaixo, todas elas, uma a uma, com a nota do ciclo anterior e a nota atual.

5 Ótima
1
4 Boa
32
3 Regular
18
2 Sofrível
1
1 Crítica
0

A estrutura mais frágil do trecho é uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, no km 281+700. Ela recebeu nota 2 em duas inspeções consecutivas. Ou seja: a intervenção de curto prazo que a norma exige em até um ano não se refletiu em nenhuma melhora. A intervenção estava programada para 2024. Não há registro público de que tenha sido executada. Desde então a rodovia trocou de gestor e ninguém publicou nova inspeção.

#EstruturakmNota anteriorNota atual

Inventário completo do relatório de monitoração, vistoria de campo entre 31 de outubro e 5 de novembro de 2023. Quatro estruturas melhoraram no ciclo, duas pioraram, 46 ficaram estáveis.

07 · Mapeamento de necessidade

Quais pontes precisam de monitoramento contínuo, e por quê.

O critério parte da norma. A NBR 9452:2023 e a norma do DNIT dizem, para cada grau, o que se recomenda fazer, e a instrumentação contínua é nomeada no texto entre as medidas cabíveis para o grau crítico, sem ser obrigatória. Aplicamos essa régua sobre o dado público e chegamos a este mapa. A priorização é nossa; o vocabulário é da norma.

4
Tier 1 · a norma prescreve
Nota 1. Instrumentação contínua é medida nominada pela norma
2
Tier 2 · intervenção vencida
Nota 2. Prazo normativo de 1 ano estourado
18
Tier 3 · acompanhar evolução
Nota 3. A norma manda detectar agravamento em tempo hábil
14
Tier 4 · grandes sobre rio
Sem nota pública. Priorizadas por consequência

Antes dos tiers, o número que define o mercado: apenas 59 das 709 estruturas federais do Rio têm nota pública. São 8%. A maior parte vem das 52 da BR-393, do último relatório da concessionária que saiu; o restante são estruturas da BR-354 publicadas pelo órgão federal. As outras 650 não têm avaliação conhecida. Não é que estejam boas: é que ninguém publicou. Não dá para saber quem precisa de monitoramento sem antes saber em que estado cada uma está.

Com nota pública
59
Sem nota nenhuma
650

1 Tier 1 · A norma prescreve instrumentação contínua

Para nota 1, o texto normativo nomeia, entre as medidas preventivas especiais cabíveis: restrição de carga, interdição, escoramento provisório e instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações. Não é sugestão comercial: é vocabulário da própria norma. Mas é faculdade, não imposição.

EstruturaRodovia · kmGestorSituaçãoNota
Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista SulBR-465 · 22,120EcoRioMinasCaiu de 4 para 1 em inspeção extraordinária de 26/09/2025. Fissuras sistemáticas em vigas1
Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista SulBR-465 · 22,150EcoRioMinasIdem. Duas quedas de três níveis na mesma rodovia1
Ponte sobre o Rio PalmitalBR-354 · 5,81DNITNota de 2021. Sem reavaliação pública desde então1
Ponte sobre o Rio Salto IIBR-354 · 11,12DNITNota de 2021. Sem reavaliação pública desde então1

2 Tier 2 · Intervenção de curto prazo com prazo estourado

Nota 2 exige recuperação em até um ano da última inspeção, e a norma recomenda inspeções intermediárias para monitorar a evolução. Nas duas, o prazo passou.

EstruturaRodovia · kmGestorSituaçãoNota
Ponte sobre o Rio Paraíba do SulBR-393 · 281+700DNIT · órfãNota 2 em duas inspeções seguidas. Intervenção programada para 2024, sem registro de execução. Sem inspeção pública há 2 anos e 8 meses2
Ponte sobre o Rio Salto IBR-354 · 14,60DNITRelevância alta declarada pelo próprio órgão. É a única das sete da BR-354 com esse grau de importância. Nota de 20212

3 Tier 3 · A norma manda acompanhar a evolução

Para nota 3, a norma do DNIT (010/2004-PRO) diz: "Recomenda-se acompanhar a evolução dos problemas através das inspeções rotineiras, para detectar, em tempo hábil, um eventual agravamento da insuficiência estrutural." O meio que a norma nomeia é a inspeção rotineira, não o monitoramento contínuo. Acompanhar evolução em tempo hábil é a definição funcional de monitoramento. São 18 estruturas, todas na BR-393, todas sem inspeção há 2 anos e 8 meses.

EstruturakmNota

Tier 4 · Sem nota, priorizadas por consequência

Das 650 sem avaliação pública, estas são as que combinam porte acima de 100 metros com travessia de rio principal. Porte grande e curso d'água elevam tanto a exposição a socavamento e cheia quanto a consequência de uma falha. É proxy de risco, não é nota: nenhuma delas foi avaliada publicamente.

EstruturaRodovia · kmExtensãoGestor

Como o mapa foi montado

Sem caixa-preta. O critério de cada tier vem do texto da norma, não de opinião:

Tier 1 · nota 1

A norma nomeia instrumentação com leituras contínuas entre as medidas cabíveis. Peso máximo pelo grau, que é risco tangível de colapso, e não porque a norma obrigue.

Tier 2 · nota 2

Recuperação exigida em até 1 ano, com inspeções intermediárias recomendadas. Entram as que já estouraram o prazo.

Tier 3 · nota 3

A norma manda detectar agravamento "em tempo hábil". Entra quem não é inspecionado há mais de 24 meses, porque tempo hábil deixou de existir.

Tier 4 · sem nota

Proxy declarado: extensão maior que 100 m somada a travessia de rio principal. Sem nota, não afirmamos condição. Ordenamos por consequência.

A conclusão que o mapa entrega: 24 estruturas caem nos graus que a norma associa a acompanhamento ou a medidas especiais, e outras 14 entram por porte e vão sobre rio. Mas o número que importa é o 650. O primeiro produto vendável ao Rio de Janeiro não é monitorar ponte. É descobrir quais precisam. Sem nota, o gestor não licita, não prioriza e não justifica orçamento. É o mesmo motivo pelo qual 30 estruturas na unidade local de Campos dos Goytacazes estão com plano de manutenção encaminhado à superintendência, sem registro público de licitação.

08 · Achado central

O cadastro oficial capta 63% da realidade.

Na malha federal concedida do Rio, os relatórios que as concessionárias entregam ao regulador somam pelo menos 892 estruturas. O cadastro do órgão gestor conhece 560.

Reportado ao regulador
≥892
Cadastro do gestor
560

332 estruturas de diferença. São pontes e viadutos que existem, são inspecionados, geram relatório oficial, e não constam no cadastro de quem responde por eles. Não é estimativa: é a soma de quatro concessionárias, uma a uma, contra o registro oficial.

E o cadastro também falha no campo mais simples

Extensão ausente em 86 estruturas

De 709 estruturas, 623 têm extensão utilizável e 86 não têm: 84 com o campo em branco na fonte e 2 com valor fisicamente impossível registrado. Um cadastro que não sabe o tamanho de 12% do que registra não é base confiável para decidir onde investir.

Por que isso importa mais que parece

Extensão é o campo que define porte, e porte define prioridade de inspeção e custo de intervenção. É o dado mais barato de manter e o primeiro a faltar.

A prova que dói mais: duas estruturas em risco de colapso, fora do cadastro

As duas passagens inferiores da BR-465 que a concessionária classificou como nota 1 em setembro de 2025 não têm correspondente identificável no cadastro oficial. Elas são reportadas ao regulador nos quilômetros 22,120 e 22,150. O cadastro registra doze estruturas nessa rodovia, e nenhuma é passagem inferior nesses quilômetros: as mais próximas são viadutos em 21,73, 21,76 e 22,76.

Duas leituras possíveis, e nenhuma é boa. Ou as estruturas não constam do cadastro, ou constam sob nomenclatura e quilometragem que impedem qualquer cruzamento automático. Nos dois casos, quem consulta o registro oficial para saber onde estão as pontes críticas do Rio de Janeiro não encontra as duas piores da malha concedida. Registramos como divergência entre fontes, não como afirmação de ausência: a reconciliação exige o inventário nominal da concessionária, que não é público.

Por que isso importa comercialmente: quem não sabe o que tem sob custódia não consegue priorizar manutenção, dimensionar orçamento, nem sequer redigir o edital de inspeção. O quantitativo é o primeiro campo de qualquer contratação. É por isso que o primeiro entregável vendável ao Rio de Janeiro não é inspeção. É o censo.

09 · Recorte DNIT

O DNIT é o universo mais transparente do estado. E o que tem as piores estruturas conhecidas.

São entre 113 e 114 estruturas sob administração federal direta no Rio. 67 é fato no cadastro; as 47 da BR-393 vêm da própria extração do cadastro, marcadas como trecho revertido pela caducidade, e o cadastro ainda as rotula como concessão federal. O Decreto 12.479/2025 declara a caducidade e não traz contagem de estruturas. É faixa, não número único. É a menor das quatro camadas, e de longe a mais conhecida.

~50%
Cobertura de nota
Cerca de metade das 113-114 tem avaliação publicada. Faixa, não ponto
8%
Média do estado
59 de 709. O DNIT é cerca de 6 vezes mais transparente
2
Das 4 nota 1 do RJ
Ambas na BR-354, ambas sob DNIT
30
Paradas na gaveta
Plano de manutenção pronto e não licitado desde 2024
DNIT · com nota
~50%
Estado · com nota
8%

Por que "cerca de": as avaliações da BR-393 vêm do relatório da concessionária que saiu (52 estruturas), enquanto o cadastro do órgão registra 47 no mesmo trecho. A divergência de 6 estruturas entre as duas fontes é real e está declarada na seção 16. Conforme a base adotada, a cobertura fica entre 47% e 50%. Não escolhemos o número mais favorável: fica a faixa.

Isso inverte a leitura óbvia. Uma proposta ao DNIT não começa do zero: começa com cerca de metade do parque já avaliado, e com a dor documentada pelo próprio órgão.

A BR-354 é o caso mais duro do Rio de Janeiro

Das estruturas da BR-354 com nota publicada pelo órgão federal, três estão em nota 2 ou pior · todas na mesma rodovia, sob uma única unidade local. As notas nominais publicadas estão na seção 05.

1 Crítica
2
2 Ruim
1
3 Regular
1
4 Boa
3

43% das estruturas avaliadas da BR-354 estão em nota 2 ou pior, e a última avaliação é de 2021. Cinco anos sem reavaliação pública de uma rodovia onde duas pontes já estavam classificadas com risco tangível de colapso. A terceira, o Rio Salto I, é a única das sete que o próprio órgão marcou como relevância alta.

A BR-393 caiu no colo do DNIT sem plano de transição

52

Estruturas herdadas

A concessão caducou por descumprimento contratual, declarado por decreto em 2 de junho de 2025. Os 182,5 km voltaram à administração direta em 10 de junho de 2025, e com eles todo o passivo estrutural.

2a 8m

Sem inspeção pública

O último inventário é de novembro de 2023, feito pela concessionária que saiu. Ninguém publicou nova avaliação desde a reversão.

19

Que a norma manda acompanhar

Uma nota 2 com intervenção vencida desde 2024, mais 18 nota 3 que exigem detecção de agravamento em tempo hábil. Tempo hábil deixou de existir.

O leilão da nova concessão está previsto para dezembro de 2026. Até lá, o DNIT responde pelas 52.

Leitura reta: o que pesa a favor e o que pesa contra

A favor

Dor documentada pelo próprio órgão. Metade do parque tem nota, duas estruturas em risco de colapso, 30 planos prontos e parados, e uma rodovia inteira órfã. Nada disso precisa ser provado ao gestor: ele já publicou.

A favor

A norma nova abriu a porta. A Instrução Normativa nº 2/DNIT SEDE, de 5 de março de 2026, que reestruturou o programa de pontes, define monitoramento, no art. 2º, §9º, como coleta "por meio de instrumentos, sensores ou inspeções periódicas". A norma os trata como faculdade, não obrigação: o art. 11 diz que "poderão ser realizadas inspeções especiais com instrumentação complementar".

Contra

Não há verba preventiva alocada. Zero estrutura do Rio no programa nacional de reabilitação. O dinheiro que se move é emergencial e vai para talude e drenagem. Quem não compra manutenção preventiva dificilmente compra monitoramento.

Contra

A tese concorrente é o sensoriamento remoto. Circula em imprensa estrangeira um contrato nacional de monitoramento de pontes por satélite. Não localizamos esse contrato em fonte oficial brasileira (varredura no PNCP não o encontrou), e por isso ele entra aqui como indício, não como fato. Ver seção 16.

O que isso significa para a proposta. O ângulo com o DNIT não é vender monitoramento contra o satélite, e não é vender manutenção onde não há rubrica. É o que o satélite não faz e a norma exige: medir o comportamento da estrutura sob tráfego, sem interdição, para as estruturas que o próprio órgão já classificou como críticas. São quatro alvos nomeados, dois deles nota 1, todos com endereço, quilômetro e unidade local identificada.

10 · Inventário completo

Todas as 709 estruturas federais do Rio de Janeiro.

Nomeadas, com rodovia, quilômetro, tipo, extensão, administrador e nota. Busque por nome, rio, rodovia ou quilômetro. Ordene por qualquer coluna. As estruturas em nota 2 ou pior estão marcadas em vermelho, e o filtro isola só elas: são o alvo direto de proposta.

Todas DNIT Concessão Convênio Pontes Viadutos Passarelas ⚠ Só críticas (nota ≤ 2)
BR ↕km ↕ Estrutura ↕Tipo ↕ Extensão ↕Gestão ↕Nota ↕

Sobre a coluna Nota: só 7 das 709 têm nota que casa com o cadastro por código oficial, todas na BR-354, todas sob DNIT, todas com avaliação de 2021. As 52 da BR-393 têm nota mas usam sistema de quilometragem incompatível com o cadastro, e estão listadas na seção 06. As 2 estruturas nota 1 da BR-465 não têm correspondente identificável no cadastro (ver seção 08). "Sem nota" quer dizer sem avaliação pública, não estrutura boa.

Extensão em branco: 84 das 709 estão com o campo vazio no cadastro oficial (CSV do GeoServer, 15/07/2026: 84 vazios, 625 preenchidos, 11,85%). Outras 2 têm valor preenchido mas fisicamente impossível (917.138 m e 190.865 m na BR-101), e estão marcadas como dado inválido. Somadas, 86 estruturas ficam sem extensão utilizável e 623 com extensão utilizável, que é o par de números usado na tabela e na seção 08. Os dois números são corretos e medem coisas diferentes: 84 é campo em branco na fonte, 86 é campo sem valor aproveitável. Registramos os dois em vez de escolher um em silêncio. Largura não é exibida por estar ausente em 58,1% da base (mesmo CSV: 412 de 709 sem valor).

11 · Distribuição geográfica

As 709 estruturas têm coordenada confirmada.

Cem por cento da base tem latitude e longitude. Cada ponto abaixo é uma estrutura real, posicionada. Cor por administrador.

Concessão federal · 560 DNIT direto · 67 Convênio federal/municipal · 82

Projeção simples sobre as coordenadas do cadastro. A concentração no litoral acompanha a BR-101; o eixo diagonal é a BR-116 subindo para Minas.

12 · O incumbente

Escada, lanterna e selo de gesso.

Este é o método de monitoramento da ponte de maior extensão do país (13,2 km de trecho concedido), descrito pela própria empresa responsável, em relatório oficial entregue ao regulador em agosto de 2025.

"A vistoria foi realizada [...] mediante o uso de escada telescópica e de abrir, e potentes lanternas [...] verificando o estado das referências em gesso."

Relatório de monitoração entregue ao regulador federal · agosto de 2025

Selo de gesso: cola-se uma estampa de gipsita sobre a junta e observa-se, a olho nu, se ela trincou. É o estado da arte contratado em 2025.

"[C]hamou-nos a atenção o fato de terem sido instalados monitores de fissura [...] situação jamais observada [...] A RIOCON desconhece a finalidade dessa sistemática, e entende que tal providência é inócua."

Mesmo relatório · sobre instrumentação encontrada na estrutura

Duas leituras. Alguém já instala sensores nessa ponte por fora do circuito de quem a inspeciona. E quem assina o parecer técnico considera a instrumentação inútil, por escrito, num documento entregue ao regulador.

O mercado é concentrado

A inspeção de OAE é terceirizada a escritórios de engenharia, e os mesmos nomes reaparecem entre concessionárias. Não publicamos a contagem exata: não lemos os relatórios das cinco.

A norma não obriga sensor

O texto normativo diz "instrumentos, sensores ou inspeções periódicas", e trata a instrumentação como "poderão". O "ou" permite que a inspeção visual bienal satisfaça 100% da exigência legal, que é o caminho mais barato e o que já está contratado.

O incumbente é a inspeção visual

O que está contratado hoje no Rio é vistoria visual periódica, terceirizada, concentrada em poucos escritórios. Quem entra com instrumentação in loco cria mercado, não captura. Não publicamos ranking de contratos de monitoramento do país: não há fonte oficial que o sustente.

13 · Sinais quentes

O que está acontecendo agora.

EstruturaMunicípioSituaçãoDesde
Ponte Barcelos MartinsCampos dos GoytacazesInterditada
Parte dos pilares e do tabuleiro cedeu, com recalque diferencial no vão central. Interditada desde 28/02/2026. O Estado publicou contratação emergencial de projeto e reforço estrutural em 14/07/2026. Origem: imprensa regional; o portal da prefeitura não abriu na verificação.
fev/2026
Ponte da Ilha do CajuNiteróiInterditada
Ponte de madeira sobre a Baía de Guanabara. Quatro ofícios do CREA-RJ, que anunciou que entraria com ação civil pública contra a prefeitura. Licitação 02/2026 com impugnação deferida em 10/02/2026. O valor da licitação é sigiloso por lei (art. 34 da Lei 13.303/2016).
jan/2026
BR-495 · km 22,7Petrópolis ↔ TeresópolisResolvido
Afundamento de pista. Interdição total de 23/02 a 06/03/2026; tráfego pesado liberado em maio de 2026. Mantido como histórico, não como sinal ativo.
fev/2026
BR-393 · km 8,99Volta RedondaReincidente
Dois contratos emergenciais no mesmo quilômetro: cratera e, dez meses depois, drenagem. A primeira contenção não resolveu a causa.
vigente
9 OAEs com risco apontadoCapital · AP-3Risco apontado
De 41 estruturas vistoriadas pelo controle externo, num universo de 296 OAEs da Área de Planejamento 3 (não da cidade inteira). 131 não recebiam inspeção desde antes de 2015. O próprio tribunal registra que a classificação não significa perigo iminente de ruptura.
2023
14 · Orçamento

O Rio gasta em barranco, não em ponte.

Verificamos, contrato a contrato na fonte oficial, R$ 27.015.951,65 em obras emergenciais do órgão federal no Rio entre 2024 e 2025. Nenhuma delas é obra de arte especial: são cratera, drenagem e contenção.

ContratoObjetoValorNatureza
00798/2024Contenção de cratera · Contorno de Volta RedondaR$ 12.980.460,77Geotecnia
00837/2025Drenagem · mesmo km 8,99, dez meses depoisR$ 12.218.236,78Geotecnia
00393/2024Obra de emergênciaR$ 1.029.825,98Emergência
00171/2024Obra de emergênciaR$ 787.428,12Emergência

Zero em reabilitação

O programa nacional de reabilitação de pontes nomeia 74 estruturas no país. Nenhuma é do Rio de Janeiro.

30 paradas na gaveta

Existem 30 estruturas na unidade local de Campos dos Goytacazes com plano de manutenção encaminhado à superintendência. Sem registro público de licitação.

Rede curta

A malha sob gestão federal direta no estado é curta. Um deserto de obra de ponte nela não é anomalia: é o tamanho da amostra. Não publicamos a quilometragem: não a confirmamos em fonte oficial.

O problema do Rio não é a fila de manutenção. É que o estado não está na fila. Sem cadastro confiável, ninguém dimensiona a necessidade. Sem necessidade dimensionada, não se cria rubrica. Sem rubrica, a manutenção só acontece depois que a estrutura falha.

15 · Alvos

Onde entrar, e por qual porta.

Ordenados por temperatura, não por tamanho. O maior universo nem sempre é a melhor porta.

Prioridade 1

DNIT · BR-354 e BR-393

113 a 114 estruturas, cerca de metade com nota, e duas das quatro nota 1 do estado. É o universo mais documentado do Rio: a dor já está publicada pelo próprio órgão. A BR-354 tem 43% das avaliadas em nota 2 ou pior, com avaliação congelada em 2021. A BR-393 herdou 52 estruturas órfãs sem inspeção há 2 anos e 8 meses. Contra: não há rubrica preventiva, e circula um contrato nacional de monitoramento por satélite que não localizamos em fonte oficial brasileira. O ângulo é o que o sensoriamento remoto não faz. Detalhe na seção 09.

Prioridade 2

DER-RJ · via os licitantes do edital suspenso

1.203 estruturas. R$ 35,7 milhões em jogo. O edital compra inventário, BIM e diagnóstico, e remete a instrumentação com acelerômetros e extensômetros a um contrato futuro e separado. Quem vencer escreve a especificação desse contrato e vira dono do modelo. O certame está suspenso: nada foi adjudicado e o relógio parou. A porta é ser parceiro de um licitante, não vender ao órgão.

Prioridade 3

EcoRioMinas · BR-465

353 estruturas no estado, e duas em risco de colapso agora. As duas nota 1 foram detectadas em inspeção extraordinária de setembro de 2025, com fissuras sistemáticas em vigas. É a única concessionária do Rio com estrutura em grau crítico documentada e recente. Dor comprovada e gestor identificado.

Prioridade 4

Vencedor do leilão da BR-393

52 estruturas, leilão em dezembro de 2026. Quem arrematar herda um trecho sem inspeção pública desde 2023, com uma ponte nota 2 sobre o Paraíba do Sul e intervenção vencida desde 2024. O comprador vai querer saber o que está comprando antes de assinar. Janela de diligência pré-leilão.

Cuidado

Ecoponte · melhor ativo, pior porta

O parecerista técnico que inspeciona a ponte já registrou por escrito, ao regulador, que os monitores de fissura encontrados naquela estrutura seriam providência "inócua". É sinal de resistência à instrumentação vinda de fora do circuito dele. Entrar pela engenharia tende a render parecer negativo: se for, é por operação ou diretoria.

16 · Lacunas declaradas

O que não sabemos, e como se resolve.

Onde a fonte cala, declaramos. Não estimamos, não rateamos, não extrapolamos.

O que faltaPor quêComo resolve
A nota de inspeção atual da maioria das estruturasO cadastro é público. A inspeção é fechada.Pedido de acesso à informação redigido e pronto para protocolo
Quantas pontes a capital realmente temO número público conhecido (296) é de uma área de planejamento, não do município. Não localizamos inventário municipal completoRelatório primário e pedido à prefeitura
Estruturas de Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e CamposNenhum dado público. Não é opacidade: as prefeituras também não sabem4 pedidos de acesso à informação
Seis estruturas da BR-393Dois registros oficiais divergem e os sistemas de referência quilométrica são incompatíveisIrresolvível com os dados atuais
Por que o edital de R$ 35,7 milhões foi suspensoNenhum aviso, nenhuma ata, nada no edital de 73 páginas, nada na imprensaPedido ao órgão estadual
O contrato da nova concessão da BR-393A ficha oficial do Ministério dos Transportes (15/04/2026) fixa Capex R$ 3,05 bi e Opex R$ 3,11 bi, edital set/2026 e leilão dez/2026. O contrato em si ainda não existe: o estudo está em vias de audiência públicaConsulta pública da ANTT, quando abrir
A extensão real de 86 estruturas84 estão com o campo em branco no cadastro e 2 têm valor fisicamente impossível registrado (917.138 m e 190.865 m). Não corrigimos nem estimamos o valor plausívelIncluído no pedido de acesso à informação
Quando o cadastro federal foi atualizadoNão existe campo de data. O registro irmão está marcado como 2018Incluído no pedido de acesso
Inventário da EcoponteNão publica contagem discreta de estruturas do trecho concedidoAnexo do contrato de concessão
17 · Vizo Verified

O que este relatório não faz.

Este documento passou por auditoria interna e por duas rodadas de auditoria externa independente, que recheca do zero contra a fonte. As três rodadas terminaram em BLOCK, e esta versão incorpora as correções que elas exigiram, mais uma terceira trava de cobertura que reconferiu cada afirmação publicada contra o bloco de referências. O selo de aprovação final ainda não foi emitido · o que você lê é a versão corrigida, com as lacunas remanescentes declaradas na seção 16, não um documento liberado.

🔍

Não estimamos

Nenhum quantitativo foi inferido, rateado ou extrapolado. Onde a fonte cala, está declarado como lacuna, com o caminho para obter o dado.

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Fonte e data em cada linha

Todo número tem origem rastreável e data. Dado antigo é sinalizado como fotografia, não como condição atual.

⚖️

Conflito não se resolve no silêncio

Onde duas fontes oficiais divergem, as duas aparecem. Não escolhemos a mais conveniente.

✂️

O que não fechou, saiu

Três contratos e uma tese inteira foram cortados desta entrega por não passarem na segunda trava. Preferimos entregar menos do que entregar errado.

Exemplos reais do que a auditoria cortou desta entrega: contratos que não fecharam na fonte, mantidos fora da entrega e listados na seção 18. Uma tese sobre um viaduto, porque a estrutura estava em obra e o argumento não se sustentava. E um claim de que o estado tinha zero programa de manutenção, que era falso: tem 30 estruturas em plano, paradas na gaveta.

18 · Referências

Cada número deste documento tem origem. Aqui está.

Fonte, documento, data e página. O que não foi encontrado está na seção 16, com o caminho para obter.

1 · Cadastro e bases de dados

  • DNIT · GeoServer, camada vgeo:oae_sgo · CQL_FILTER=uf='RJ'709 OAEs (nacional 8.795). Endpoint servicos.dnit.gov.br/dnitgeo/geoserver/ows, aberto e sem autenticação · reprodução ao vivo pela auditoria externa em 15/07/2026
  • DNIT · SNV 202407A · join com o cadastro SGO para isolar as 67 OAEs sob DNIT direto. Vintage declarado: jul/2024
  • DNIT · API de inspeção /api/v1/inspecaoOae/ · retorno HTTP 401; view SGE responde "permission denied". Registrada como muro de acesso, não como ausência de dado

2 · DNIT · Relatório de Gestão 2024 e normas

  • Relatório de Gestão 2024 · p.93 escala de notas verbatim ("As estruturas que obtiveram notas 1 ou 2 classificam-se como 'críticas' e 'ruins', respectivamente") · p.181 reprodução do Acórdão TCU 1185/2020 · p.182 Priorização de OAE em BIM 2021-2024 (notas da BR-354) · Tab.30 30 OAEs em PROARTE Manutenção, UL Campos dos Goytacazes, situação "Encaminhados à Superintendência" · Tab.31 74 OAEs em reabilitação no país, nenhuma do RJ
  • Decreto nº 12.479, de 2 de junho de 2025 (DOU 3.6.2025) · declara a caducidade da concessão da K-Infra Rodovia do Aço S.A., verbatim: "por descumprimento de cláusulas contratuais e disposições legais". Tem 2 artigos e não contém contagem de quilômetros nem de estruturas. A extensão de 182,5 km vem da página da concessão na ANTT ("Extensão do Trecho Concedido: 182,50 Km"). Dois marcos distintos: 02/06/2025 decreto, 10/06/2025 assunção pelo DNIT · acesso 18/07/2026
  • DNIT · Instrução Normativa nº 2/DNIT SEDE, de 5 de março de 2026 (Boletim Administrativo ed. 045, 9 de março de 2026) · reestrutura o PROARTE. Art. 2º, §9º define monitoramento verbatim: "coleta sistemática de dados sobre o desempenho das estruturas ao longo do tempo, por meio de instrumentos, sensores ou inspeções periódicas". Art. 11, parágrafo único: "poderão ser realizadas inspeções especiais com instrumentação complementar" · acesso 18/07/2026
  • ANTT · lista de concessões rodoviárias · titularidade vigente das concessões federais no RJ. CONCER consta como contrato encerrado; BR-040/BR-495 sob Concessionária Elovias S.A. (contrato 02/10/2025, assunção 04/11/2025, 30 anos, 218,9 km) · acesso 18/07/2026
  • Ministério dos Transportes · ficha oficial BR-393/RJ "Rota Vale do Café", atualizada em 15/04/2026 · Capex R$ 3,05 bi · Opex R$ 3,11 bi · extensão 204,7 km · edital set/2026 · leilão dez/2026 · WACC 11,07% a.a. · status: estudo aprovado, em vias de audiência pública · acesso 18/07/2026
  • Normas · ABNT NBR 9452:2023 (6 graus, 0 a 5; 3 parâmetros: estrutural, funcional, durabilidade) e DNIT 010/2004-PRO (escala 1 a 5, sem grau 0). Íntegra da NBR é licenciada pela ABNT e não foi reproduzida

3 · ANTT · relatórios de monitoração (a fonte das notas)

  • EcoRioMinas · relatório de monitoração ANTT, out/2025. Inspeção extraordinária de 26/09/2025, BR-465, nota 4 → 1 nos km 22,120 e 22,150. 353 OAEs no RJ. Verbatim confirmado pela auditoria externa
  • K-Infra · BR-393 · documento RT-BR-393RJ-MOAE-016/R00, de 17/11/2023, vistoria de campo 31/10 a 05/11/2023. 52 OAEs nominadas: 1 nota 5 · 32 nota 4 · 18 nota 3 · 1 nota 2 · 0 nota 1
  • RIOCON / Ecoponte · relatório de inspeção da Ponte Rio-Niterói, ago/2025. Método verbatim (escada telescópica, lanterna e gesso) e parecer de que instrumentação seria "inócua"
  • BR-040 · contagem de OAEs · 109 OAEs em território RJ, por contagem manual dos códigos "040 RJ" em relatório da CONCER (titular até 2025). Gestor atual: Concessionária Elovias S.A., desde 04/11/2025 · ANTT, lista de concessões, acesso 18/07/2026
  • Autopista Fluminense (212 OAEs) e CCR RioSP (218 OAEs) · contagens extraídas dos relatórios ANTT. Sem nº de documento/data publicados no material

4 · Estado e município

  • DER-RJ · Termo de Referência, Anexo 1, CE 005/2026 (edital de 73 páginas) · verbatim: "Atualmente o estado possui em suas estradas um total de 1.203 OAEs" (984 pontes · 59 viadutos · 20 passarelas · 121 pontilhões · 2 elevados · 6 galerias · 11 bueiros · túneis e contenções). §217 define o escopo largo do comprador
  • Portal de compras do Estado do RJ · ficha do CE 005/26 · compras.rj.gov.br/EditaisLicitacoes/detalhar.action?idLic=36410 · confirmado visualmente em 15/07/2026 · status SUSPENSA · valor estimado R$35.712.988,15, homologado R$0,00 · Concorrência Eletrônica (Lei 14.133/2021), técnica e preço · publicação 27/03/2026 16:02 · propostas até 26/05/2026 10:30 · processo SEI-330002/049022/2025
  • TCM-RJ · relatório de abr/2023 (processo 040/101799/2022, Acórdão 978/2023) · 9 OAEs com risco apontado · 41 vistoriadas de um universo de 296 OAEs da Área de Planejamento 3, não do município inteiro · 131 sem inspeção desde antes de 2015. O tribunal registra que a classificação não significa perigo iminente de ruptura
  • Prefeitura de Niterói · licitação 02/2026 (Ponte da Ilha do Caju), impugnação deferida em 10/02/2026. Valor sigiloso por força do art. 34 da Lei 13.303/2016 · sinal desde 22/01/2026
  • CREA-RJ · 4 ofícios e ACP anunciada sobre a Ponte da Ilha do Caju, 22/01/2026
  • PGM de Barra do Piraí · ACP na Justiça Federal (BR-393), 10/04/2026: 72h para plano emergencial, multa de R$10 mil/dia

5 · Contratação pública · PNCP (verificados um a um)

Consulta de 15/07/2026, órgão confirmado na fonte: SUP. REG. DO DNIT NO RIO DE JANEIRO. Total verificado: R$27.015.951,65.

  • Contrato 00171/2024 · sequencial PNCP 2024/62 · R$787.428,12 · Geologus · obras de emergência
  • Contrato 00393/2024 · 2024/327 · R$1.029.825,98 · Geologus · obras de emergência
  • Contrato 00798/2024 · 2024/537 · R$12.980.460,77 · RPX Comercial · contenção de cratera
  • Contrato 00837/2025 · 2025/1177 · R$12.218.236,78 · Geologus · drenagem, km 8,99, Volta Redonda
  • Cortados por não verificação: 00773/2024, 00385/2025 e 00192/2026 (BRA Construtora) ficaram fora da entrega por não terem sequencial PNCP confirmado. O contrato 00132/2025 teve divergência de fator 8 entre o valor relatado e o retornado pela fonte (R$2.212.384,85) e não foi usado

6 · Controle externo

  • Acórdão 1185/2020-TCU-Plenário, item 9.2.1 · não lido na fonte primária: portal do TCU bloqueado por WAF. Acessado via reprodução no DNIT RG2024, p.181. Registrado como tal

7 · Trilha do Vizo Verified

  • Auditoria interna · 15/07/2026, veredito BLOCK com 7 itens (5 corrigidos, 2 resolvidos com fonte nova)
  • Auditoria externa independente · 15/07/2026, duas rodadas, ambas BLOCK. Reproduziu a fonte ao vivo (GeoServer) e confirmou os verbatims (1.203 do TR, relatório RIOCON, nota 2 da BR-393)
  • Trava de cobertura · 18/07/2026. Auditoria adversária que partiu de cada afirmação publicada e foi atrás do lastro. Resultado: 63 claims auditados, 21 sem fonte. Todos os 21 foram corrigidos nesta versão: 5 cortados, 7 reescritos mais fracos, e os demais reconciliados com o dossiê (113-114 publicado como faixa e não como número único; atribuição das ≈109 OAEs da BR-040 corrigida para a CONCER). O par 59/650 foi mantido por ser o único que decompõe contra o data.json desta página: 7 da BR-354 + 52 da BR-393
  • Status honesto: as três rodadas de auditoria terminaram em BLOCK. Esta versão incorpora as correções, mas o selo de aprovação final não foi emitido. Os valores de investimento das concessionárias e os prazos de contrato foram removidos por falta de documento e estão na seção 16 como lacuna
O que esta lista não cobre · e está declarado. Os sinais quentes da seção 13 nasceram de imprensa regional não nomeada no material de pesquisa. Na revisão de 18/07/2026 três deles foram rechecados em fonte primária (edital e ato de impugnação da licitação 02/2026 de Niterói, alertas do DNIT para a BR-495 e o acórdão do tribunal de contas do município), e a redação foi corrigida ao que essas fontes sustentam. O caso de Campos permanece com origem em imprensa: o portal da prefeitura não abriu na verificação. Sinais entram como indício datado, não como fato consolidado. A seção 16 · Lacunas declaradas traz o inventário completo do que ficou em aberto.
Por que a lacuna está aqui. Uma lista só de acertos é catálogo. O que prova que alguém foi atrás é o que não se achou, dito com o caminho para obter.