Mapeamos 709 estruturas federais uma a uma, nomeadas e georreferenciadas, e dimensionamos outras três camadas de gestão a partir do que os próprios órgãos declaram: 1.203 estaduais, 296 na capital e quatro municípios sem dado nenhum. Encontramos quatro pontes com risco tangível de colapso, nomeadas, com quilômetro e nota oficial. Encontramos 52 pontes órfãs, sem inspeção há dois anos e oito meses. E encontramos algo maior que qualquer uma delas: o cadastro oficial não bate com a realidade.
Cada camada tem gestor próprio, orçamento próprio e ciclo de decisão próprio. Quem vende para o estado precisa saber com quem está falando.
| Universo | Estruturas | Quem gere | Qualidade do dado |
|---|---|---|---|
| Federal concedido | ≥892 | 5 concessionárias | Inventário nominal com nota por estrutura |
| Federal direto | 113–114 | DNIT · SRE-RJ | Faixa, não número único · nota quase toda fechada |
| Estadual | 1.203 | DER-RJ | Total declarado, sem inventário público |
| Municipal · capital | 296 | Controle externo · AP-3 | Universo de uma área de planejamento, não do município |
| Municipal · Niterói, S. Gonçalo, Caxias, Campos | ? | 4 prefeituras | Zero dado público |
Os 709 do cadastro federal e os ≥892 dos relatórios das concessionárias medem a mesma malha e não batem. A diferença é o achado da seção 08.
Todas têm obrigação contratual de manter as estruturas, e todas prestam contas ao regulador com relatório anual de monitoração. É onde a nota de inspeção existe, e é o que sustenta o achado central desta seção: o inventário reportado ao regulador é maior que o cadastro do gestor.
| Concessionária | Grupo | Rodovia · trecho RJ | OAEs | Origem da contagem |
|---|---|---|---|---|
| EcoRioMinas | EcoRodovias | BR-116, BR-465, BR-493 | 353 | Relatório ANTT out/2025 |
| CCR RioSP | CCR · Motiva | BR-116 Dutra + BR-101 Rio-Santos | 218 | Relatório ANTT, sem nº de documento |
| Autopista Fluminense | Arteris | BR-101 Norte | 212 | Relatório ANTT, sem nº de documento |
| Elovias | Consórcio Nova Estrada Real | BR-040 · BR-495 | ≈109 | Contagem manual dos códigos "040 RJ", em relatório da CONCER |
| Ecoponte | EcoRodovias | Ponte Rio-Niterói | não publicado | contagem não publicada |
A Ecoponte não publica contagem discreta de estruturas do trecho. Os valores de investimento e os prazos de contrato de cada concessionária não estão nesta versão: dependem dos contratos de concessão publicados pela ANTT, que não foram lidos nesta onda. Estão na seção 16 como lacuna declarada.
Titularidade da BR-040: o trecho é da Concessionária Elovias S.A. desde 4 de novembro de 2025, por contrato ANTT assinado em 02/10/2025, 30 anos, 218,9 km, incluindo a BR-495. A CONCER administrou de 1996 a 2025 e consta na ANTT como contrato encerrado. A contagem de ≈109 OAEs foi extraída de relatório da CONCER, da época em que era titular: a origem da contagem e o gestor de hoje são fatos distintos.
O DER-RJ abriu concorrência para inventariar e projetar a recuperação das 1.203 estruturas do estado. O certame está suspenso, sem vencedor, sem aviso que explique o motivo. Nada foi adjudicado. Detalhe na seção 16.
A BR-393 perdeu a concessionária por caducidade e volta a leilão em dezembro de 2026. As 52 estruturas da seção 06 entram no contrato de quem ganhar, com o passivo acumulado em 2 anos e 8 meses sem inspeção pública. A ficha oficial do Ministério projeta Capex de R$ 3,05 bi e Opex de R$ 3,11 bi, com edital em setembro de 2026. Ver seção 16.
Esta é a norma que rege o Rio de Janeiro. O edital do DER-RJ determina que a inspeção siga as normas técnicas pertinentes, "em especial [pela] NBR 9452-2023". Ela classifica cada estrutura de 0 a 5, e nota 1 não é rótulo administrativo: é a definição técnica de uma ponte que pode cair.
| Nota | Condição | O que significa |
|---|---|---|
| 0 | Emergencial | Há elementos estruturais principais já colapsados, evoluindo para instabilidade da estrutura. A obra não apresenta condições funcionais de uso. Exige intervenção imediata, que pode incluir restrição de carga, interdição de tráfego ou escoramento provisório. |
| 1 | Crítica | Há elementos com deterioração em regiões localizadas apresentando risco tangível de colapso, exigindo intervenção estrutural localizada e imediata. |
| 2 | Ruim | Deterioração relevante, com comprometimento de desempenho, mas sem risco tangível de colapso identificado. |
| 3 | Regular | Problemas presentes, sem sinais de comprometimento da estabilidade. |
| 4 | Boa | Danos pontuais, sem insuficiência estrutural. |
| 5 | Excelente | Sem danos nem insuficiência, nos parâmetros estrutural, funcional e de durabilidade. |
A NBR 9452:2023 avalia três parâmetros por estrutura: estrutural, funcional e de durabilidade. A nota final reflete o mais grave entre eles. As descrições acima resumem o conteúdo da norma; a íntegra é publicação licenciada da ABNT e não é reproduzida aqui.
Diferença que precisa estar clara. As notas das estruturas citadas neste relatório vêm dos relatórios oficiais de inspeção, que aplicam a escala do DNIT (010-PRO), de 1 a 5, sem o grau 0. A norma do estado, NBR 9452:2023, acrescenta a nota 0 (emergencial), para estrutura com elemento principal já colapsado. As duas escalas coincidem na direção e no significado do grau crítico: em ambas, nota 1 é "risco tangível de colapso". Nenhuma estrutura do Rio foi encontrada com nota 0 nas fontes públicas consultadas, o que não é o mesmo que dizer que não exista.
O que a norma prevê para uma ponte crítica. A norma do DNIT (010/2004-PRO) diz que a recuperação "deve ser feita sem tardar" e que, "em alguns casos", a situação "pode configu[r]ar uma situação de emergência, podendo a recuperação da obra ser acompanhada de medidas preventivas especiais, tais como: restrição de carga na ponte, interdição total ou parcial ao tráfego, escoramentos provisórios, instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações etc." Ou seja: a norma nomeia a instrumentação contínua entre as medidas cabíveis para a estrutura em risco. Ela não a torna obrigatória: o texto é condicional e exemplificativo. Texto descrito, não reproduzido: a íntegra da NBR 9452:2023 é licenciada pela ABNT.
Ressalva que é justo registrar: nota baixa indica prioridade técnica de reparo, e não é o mesmo que declaração de que a estrutura esteja interditada ou impedida de operar. Nota não é interdição. Mas é o gatilho normativo da ação. Leitura da equipe a partir da escala normativa descrita acima, não citação de fonte: não localizamos declaração oficial nesses termos e por isso ela não aparece aqui entre aspas.
Nota 1, na NBR 9452:2023 e na escala do DNIT, é a mesma coisa: risco tangível de colapso. Dois achados independentes, de fontes, datas e administradores diferentes.
| Estrutura | km | Extensão | Relevância | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Ponte sobre o Rio Palmital | 5,81 | 33 m | Baixa | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto II | 11,12 | 33 m | Baixa | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto I | 14,60 | 40 m | Alta | 2 |
Fonte: relatório de gestão oficial do órgão federal. Avaliação de 2021, cinco anos atrás. É a nota mais recente publicamente disponível para estas estruturas, não a condição de hoje. As três estão na mesma rodovia, sob a mesma unidade local.
| Estrutura | km | Movimento | Motivo | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Passagem Inferior · Pista Sul | 22,120 | 4 → 1 | Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
| Passagem Inferior · Pista Sul | 22,150 | 4 → 1 | Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
Rebaixadas de nota 4 para nota 1 em inspeção extraordinária de 26 de setembro de 2025. Duas quedas de três níveis de uma vez, na mesma rodovia, com poucos meses de intervalo. Únicas nota 1 confirmadas entre as quatro concessionárias cujos relatórios foram lidos (Autopista Fluminense, CONCER, K-Infra e EcoRioMinas). CCR RioSP e Ecoponte não foram fechados.
A concessão da BR-393 caducou em 2025 por "descumprimento de cláusulas contratuais e disposições legais", nos termos do Decreto 12.479, de 2 de junho de 2025. Os 182,5 km voltaram à administração direta do órgão federal em 10 de junho de 2025. Com eles, 52 estruturas cujo último inventário público é de novembro de 2023. Abaixo, todas elas, uma a uma, com a nota do ciclo anterior e a nota atual.
A estrutura mais frágil do trecho é uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, no km 281+700. Ela recebeu nota 2 em duas inspeções consecutivas. Ou seja: a intervenção de curto prazo que a norma exige em até um ano não se refletiu em nenhuma melhora. A intervenção estava programada para 2024. Não há registro público de que tenha sido executada. Desde então a rodovia trocou de gestor e ninguém publicou nova inspeção.
| # | Estrutura | km | Nota anterior | Nota atual |
|---|
Inventário completo do relatório de monitoração, vistoria de campo entre 31 de outubro e 5 de novembro de 2023. Quatro estruturas melhoraram no ciclo, duas pioraram, 46 ficaram estáveis.
O critério parte da norma. A NBR 9452:2023 e a norma do DNIT dizem, para cada grau, o que se recomenda fazer, e a instrumentação contínua é nomeada no texto entre as medidas cabíveis para o grau crítico, sem ser obrigatória. Aplicamos essa régua sobre o dado público e chegamos a este mapa. A priorização é nossa; o vocabulário é da norma.
Antes dos tiers, o número que define o mercado: apenas 59 das 709 estruturas federais do Rio têm nota pública. São 8%. A maior parte vem das 52 da BR-393, do último relatório da concessionária que saiu; o restante são estruturas da BR-354 publicadas pelo órgão federal. As outras 650 não têm avaliação conhecida. Não é que estejam boas: é que ninguém publicou. Não dá para saber quem precisa de monitoramento sem antes saber em que estado cada uma está.
Para nota 1, o texto normativo nomeia, entre as medidas preventivas especiais cabíveis: restrição de carga, interdição, escoramento provisório e instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações. Não é sugestão comercial: é vocabulário da própria norma. Mas é faculdade, não imposição.
| Estrutura | Rodovia · km | Gestor | Situação | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista Sul | BR-465 · 22,120 | EcoRioMinas | Caiu de 4 para 1 em inspeção extraordinária de 26/09/2025. Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
| Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista Sul | BR-465 · 22,150 | EcoRioMinas | Idem. Duas quedas de três níveis na mesma rodovia | 1 |
| Ponte sobre o Rio Palmital | BR-354 · 5,81 | DNIT | Nota de 2021. Sem reavaliação pública desde então | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto II | BR-354 · 11,12 | DNIT | Nota de 2021. Sem reavaliação pública desde então | 1 |
Nota 2 exige recuperação em até um ano da última inspeção, e a norma recomenda inspeções intermediárias para monitorar a evolução. Nas duas, o prazo passou.
| Estrutura | Rodovia · km | Gestor | Situação | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Ponte sobre o Rio Paraíba do Sul | BR-393 · 281+700 | DNIT · órfã | Nota 2 em duas inspeções seguidas. Intervenção programada para 2024, sem registro de execução. Sem inspeção pública há 2 anos e 8 meses | 2 |
| Ponte sobre o Rio Salto I | BR-354 · 14,60 | DNIT | Relevância alta declarada pelo próprio órgão. É a única das sete da BR-354 com esse grau de importância. Nota de 2021 | 2 |
Para nota 3, a norma do DNIT (010/2004-PRO) diz: "Recomenda-se acompanhar a evolução dos problemas através das inspeções rotineiras, para detectar, em tempo hábil, um eventual agravamento da insuficiência estrutural." O meio que a norma nomeia é a inspeção rotineira, não o monitoramento contínuo. Acompanhar evolução em tempo hábil é a definição funcional de monitoramento. São 18 estruturas, todas na BR-393, todas sem inspeção há 2 anos e 8 meses.
| Estrutura | km | Nota |
|---|
Das 650 sem avaliação pública, estas são as que combinam porte acima de 100 metros com travessia de rio principal. Porte grande e curso d'água elevam tanto a exposição a socavamento e cheia quanto a consequência de uma falha. É proxy de risco, não é nota: nenhuma delas foi avaliada publicamente.
| Estrutura | Rodovia · km | Extensão | Gestor |
|---|
Sem caixa-preta. O critério de cada tier vem do texto da norma, não de opinião:
A norma nomeia instrumentação com leituras contínuas entre as medidas cabíveis. Peso máximo pelo grau, que é risco tangível de colapso, e não porque a norma obrigue.
Recuperação exigida em até 1 ano, com inspeções intermediárias recomendadas. Entram as que já estouraram o prazo.
A norma manda detectar agravamento "em tempo hábil". Entra quem não é inspecionado há mais de 24 meses, porque tempo hábil deixou de existir.
Proxy declarado: extensão maior que 100 m somada a travessia de rio principal. Sem nota, não afirmamos condição. Ordenamos por consequência.
A conclusão que o mapa entrega: 24 estruturas caem nos graus que a norma associa a acompanhamento ou a medidas especiais, e outras 14 entram por porte e vão sobre rio. Mas o número que importa é o 650. O primeiro produto vendável ao Rio de Janeiro não é monitorar ponte. É descobrir quais precisam. Sem nota, o gestor não licita, não prioriza e não justifica orçamento. É o mesmo motivo pelo qual 30 estruturas na unidade local de Campos dos Goytacazes estão com plano de manutenção encaminhado à superintendência, sem registro público de licitação.
Na malha federal concedida do Rio, os relatórios que as concessionárias entregam ao regulador somam pelo menos 892 estruturas. O cadastro do órgão gestor conhece 560.
332 estruturas de diferença. São pontes e viadutos que existem, são inspecionados, geram relatório oficial, e não constam no cadastro de quem responde por eles. Não é estimativa: é a soma de quatro concessionárias, uma a uma, contra o registro oficial.
De 709 estruturas, 623 têm extensão utilizável e 86 não têm: 84 com o campo em branco na fonte e 2 com valor fisicamente impossível registrado. Um cadastro que não sabe o tamanho de 12% do que registra não é base confiável para decidir onde investir.
Extensão é o campo que define porte, e porte define prioridade de inspeção e custo de intervenção. É o dado mais barato de manter e o primeiro a faltar.
As duas passagens inferiores da BR-465 que a concessionária classificou como nota 1 em setembro de 2025 não têm correspondente identificável no cadastro oficial. Elas são reportadas ao regulador nos quilômetros 22,120 e 22,150. O cadastro registra doze estruturas nessa rodovia, e nenhuma é passagem inferior nesses quilômetros: as mais próximas são viadutos em 21,73, 21,76 e 22,76.
Duas leituras possíveis, e nenhuma é boa. Ou as estruturas não constam do cadastro, ou constam sob nomenclatura e quilometragem que impedem qualquer cruzamento automático. Nos dois casos, quem consulta o registro oficial para saber onde estão as pontes críticas do Rio de Janeiro não encontra as duas piores da malha concedida. Registramos como divergência entre fontes, não como afirmação de ausência: a reconciliação exige o inventário nominal da concessionária, que não é público.
Por que isso importa comercialmente: quem não sabe o que tem sob custódia não consegue priorizar manutenção, dimensionar orçamento, nem sequer redigir o edital de inspeção. O quantitativo é o primeiro campo de qualquer contratação. É por isso que o primeiro entregável vendável ao Rio de Janeiro não é inspeção. É o censo.
São entre 113 e 114 estruturas sob administração federal direta no Rio. 67 é fato no cadastro; as 47 da BR-393 vêm da própria extração do cadastro, marcadas como trecho revertido pela caducidade, e o cadastro ainda as rotula como concessão federal. O Decreto 12.479/2025 declara a caducidade e não traz contagem de estruturas. É faixa, não número único. É a menor das quatro camadas, e de longe a mais conhecida.
Por que "cerca de": as avaliações da BR-393 vêm do relatório da concessionária que saiu (52 estruturas), enquanto o cadastro do órgão registra 47 no mesmo trecho. A divergência de 6 estruturas entre as duas fontes é real e está declarada na seção 16. Conforme a base adotada, a cobertura fica entre 47% e 50%. Não escolhemos o número mais favorável: fica a faixa.
Isso inverte a leitura óbvia. Uma proposta ao DNIT não começa do zero: começa com cerca de metade do parque já avaliado, e com a dor documentada pelo próprio órgão.
Das estruturas da BR-354 com nota publicada pelo órgão federal, três estão em nota 2 ou pior · todas na mesma rodovia, sob uma única unidade local. As notas nominais publicadas estão na seção 05.
43% das estruturas avaliadas da BR-354 estão em nota 2 ou pior, e a última avaliação é de 2021. Cinco anos sem reavaliação pública de uma rodovia onde duas pontes já estavam classificadas com risco tangível de colapso. A terceira, o Rio Salto I, é a única das sete que o próprio órgão marcou como relevância alta.
A concessão caducou por descumprimento contratual, declarado por decreto em 2 de junho de 2025. Os 182,5 km voltaram à administração direta em 10 de junho de 2025, e com eles todo o passivo estrutural.
O último inventário é de novembro de 2023, feito pela concessionária que saiu. Ninguém publicou nova avaliação desde a reversão.
Uma nota 2 com intervenção vencida desde 2024, mais 18 nota 3 que exigem detecção de agravamento em tempo hábil. Tempo hábil deixou de existir.
O leilão da nova concessão está previsto para dezembro de 2026. Até lá, o DNIT responde pelas 52.
Dor documentada pelo próprio órgão. Metade do parque tem nota, duas estruturas em risco de colapso, 30 planos prontos e parados, e uma rodovia inteira órfã. Nada disso precisa ser provado ao gestor: ele já publicou.
A norma nova abriu a porta. A Instrução Normativa nº 2/DNIT SEDE, de 5 de março de 2026, que reestruturou o programa de pontes, define monitoramento, no art. 2º, §9º, como coleta "por meio de instrumentos, sensores ou inspeções periódicas". A norma os trata como faculdade, não obrigação: o art. 11 diz que "poderão ser realizadas inspeções especiais com instrumentação complementar".
Não há verba preventiva alocada. Zero estrutura do Rio no programa nacional de reabilitação. O dinheiro que se move é emergencial e vai para talude e drenagem. Quem não compra manutenção preventiva dificilmente compra monitoramento.
A tese concorrente é o sensoriamento remoto. Circula em imprensa estrangeira um contrato nacional de monitoramento de pontes por satélite. Não localizamos esse contrato em fonte oficial brasileira (varredura no PNCP não o encontrou), e por isso ele entra aqui como indício, não como fato. Ver seção 16.
O que isso significa para a proposta. O ângulo com o DNIT não é vender monitoramento contra o satélite, e não é vender manutenção onde não há rubrica. É o que o satélite não faz e a norma exige: medir o comportamento da estrutura sob tráfego, sem interdição, para as estruturas que o próprio órgão já classificou como críticas. São quatro alvos nomeados, dois deles nota 1, todos com endereço, quilômetro e unidade local identificada.
Nomeadas, com rodovia, quilômetro, tipo, extensão, administrador e nota. Busque por nome, rio, rodovia ou quilômetro. Ordene por qualquer coluna. As estruturas em nota 2 ou pior estão marcadas em vermelho, e o filtro isola só elas: são o alvo direto de proposta.
| BR ↕ | km ↕ | Estrutura ↕ | Tipo ↕ | Extensão ↕ | Gestão ↕ | Nota ↕ |
|---|
Sobre a coluna Nota: só 7 das 709 têm nota que casa com o cadastro por código oficial, todas na BR-354, todas sob DNIT, todas com avaliação de 2021. As 52 da BR-393 têm nota mas usam sistema de quilometragem incompatível com o cadastro, e estão listadas na seção 06. As 2 estruturas nota 1 da BR-465 não têm correspondente identificável no cadastro (ver seção 08). "Sem nota" quer dizer sem avaliação pública, não estrutura boa.
Extensão em branco: 84 das 709 estão com o campo vazio no cadastro oficial (CSV do GeoServer, 15/07/2026: 84 vazios, 625 preenchidos, 11,85%). Outras 2 têm valor preenchido mas fisicamente impossível (917.138 m e 190.865 m na BR-101), e estão marcadas como dado inválido. Somadas, 86 estruturas ficam sem extensão utilizável e 623 com extensão utilizável, que é o par de números usado na tabela e na seção 08. Os dois números são corretos e medem coisas diferentes: 84 é campo em branco na fonte, 86 é campo sem valor aproveitável. Registramos os dois em vez de escolher um em silêncio. Largura não é exibida por estar ausente em 58,1% da base (mesmo CSV: 412 de 709 sem valor).
Cem por cento da base tem latitude e longitude. Cada ponto abaixo é uma estrutura real, posicionada. Cor por administrador.
Projeção simples sobre as coordenadas do cadastro. A concentração no litoral acompanha a BR-101; o eixo diagonal é a BR-116 subindo para Minas.
Este é o método de monitoramento da ponte de maior extensão do país (13,2 km de trecho concedido), descrito pela própria empresa responsável, em relatório oficial entregue ao regulador em agosto de 2025.
"A vistoria foi realizada [...] mediante o uso de escada telescópica e de abrir, e potentes lanternas [...] verificando o estado das referências em gesso."
Relatório de monitoração entregue ao regulador federal · agosto de 2025
Selo de gesso: cola-se uma estampa de gipsita sobre a junta e observa-se, a olho nu, se ela trincou. É o estado da arte contratado em 2025.
"[C]hamou-nos a atenção o fato de terem sido instalados monitores de fissura [...] situação jamais observada [...] A RIOCON desconhece a finalidade dessa sistemática, e entende que tal providência é inócua."
Mesmo relatório · sobre instrumentação encontrada na estrutura
Duas leituras. Alguém já instala sensores nessa ponte por fora do circuito de quem a inspeciona. E quem assina o parecer técnico considera a instrumentação inútil, por escrito, num documento entregue ao regulador.
A inspeção de OAE é terceirizada a escritórios de engenharia, e os mesmos nomes reaparecem entre concessionárias. Não publicamos a contagem exata: não lemos os relatórios das cinco.
O texto normativo diz "instrumentos, sensores ou inspeções periódicas", e trata a instrumentação como "poderão". O "ou" permite que a inspeção visual bienal satisfaça 100% da exigência legal, que é o caminho mais barato e o que já está contratado.
O que está contratado hoje no Rio é vistoria visual periódica, terceirizada, concentrada em poucos escritórios. Quem entra com instrumentação in loco cria mercado, não captura. Não publicamos ranking de contratos de monitoramento do país: não há fonte oficial que o sustente.
| Estrutura | Município | Situação | Desde |
|---|---|---|---|
| Ponte Barcelos Martins | Campos dos Goytacazes | Interditada Parte dos pilares e do tabuleiro cedeu, com recalque diferencial no vão central. Interditada desde 28/02/2026. O Estado publicou contratação emergencial de projeto e reforço estrutural em 14/07/2026. Origem: imprensa regional; o portal da prefeitura não abriu na verificação. | fev/2026 |
| Ponte da Ilha do Caju | Niterói | Interditada Ponte de madeira sobre a Baía de Guanabara. Quatro ofícios do CREA-RJ, que anunciou que entraria com ação civil pública contra a prefeitura. Licitação 02/2026 com impugnação deferida em 10/02/2026. O valor da licitação é sigiloso por lei (art. 34 da Lei 13.303/2016). | jan/2026 |
| BR-495 · km 22,7 | Petrópolis ↔ Teresópolis | Resolvido Afundamento de pista. Interdição total de 23/02 a 06/03/2026; tráfego pesado liberado em maio de 2026. Mantido como histórico, não como sinal ativo. | fev/2026 |
| BR-393 · km 8,99 | Volta Redonda | Reincidente Dois contratos emergenciais no mesmo quilômetro: cratera e, dez meses depois, drenagem. A primeira contenção não resolveu a causa. | vigente |
| 9 OAEs com risco apontado | Capital · AP-3 | Risco apontado De 41 estruturas vistoriadas pelo controle externo, num universo de 296 OAEs da Área de Planejamento 3 (não da cidade inteira). 131 não recebiam inspeção desde antes de 2015. O próprio tribunal registra que a classificação não significa perigo iminente de ruptura. | 2023 |
Verificamos, contrato a contrato na fonte oficial, R$ 27.015.951,65 em obras emergenciais do órgão federal no Rio entre 2024 e 2025. Nenhuma delas é obra de arte especial: são cratera, drenagem e contenção.
| Contrato | Objeto | Valor | Natureza |
|---|---|---|---|
| 00798/2024 | Contenção de cratera · Contorno de Volta Redonda | R$ 12.980.460,77 | Geotecnia |
| 00837/2025 | Drenagem · mesmo km 8,99, dez meses depois | R$ 12.218.236,78 | Geotecnia |
| 00393/2024 | Obra de emergência | R$ 1.029.825,98 | Emergência |
| 00171/2024 | Obra de emergência | R$ 787.428,12 | Emergência |
O programa nacional de reabilitação de pontes nomeia 74 estruturas no país. Nenhuma é do Rio de Janeiro.
Existem 30 estruturas na unidade local de Campos dos Goytacazes com plano de manutenção encaminhado à superintendência. Sem registro público de licitação.
A malha sob gestão federal direta no estado é curta. Um deserto de obra de ponte nela não é anomalia: é o tamanho da amostra. Não publicamos a quilometragem: não a confirmamos em fonte oficial.
O problema do Rio não é a fila de manutenção. É que o estado não está na fila. Sem cadastro confiável, ninguém dimensiona a necessidade. Sem necessidade dimensionada, não se cria rubrica. Sem rubrica, a manutenção só acontece depois que a estrutura falha.
Ordenados por temperatura, não por tamanho. O maior universo nem sempre é a melhor porta.
113 a 114 estruturas, cerca de metade com nota, e duas das quatro nota 1 do estado. É o universo mais documentado do Rio: a dor já está publicada pelo próprio órgão. A BR-354 tem 43% das avaliadas em nota 2 ou pior, com avaliação congelada em 2021. A BR-393 herdou 52 estruturas órfãs sem inspeção há 2 anos e 8 meses. Contra: não há rubrica preventiva, e circula um contrato nacional de monitoramento por satélite que não localizamos em fonte oficial brasileira. O ângulo é o que o sensoriamento remoto não faz. Detalhe na seção 09.
1.203 estruturas. R$ 35,7 milhões em jogo. O edital compra inventário, BIM e diagnóstico, e remete a instrumentação com acelerômetros e extensômetros a um contrato futuro e separado. Quem vencer escreve a especificação desse contrato e vira dono do modelo. O certame está suspenso: nada foi adjudicado e o relógio parou. A porta é ser parceiro de um licitante, não vender ao órgão.
353 estruturas no estado, e duas em risco de colapso agora. As duas nota 1 foram detectadas em inspeção extraordinária de setembro de 2025, com fissuras sistemáticas em vigas. É a única concessionária do Rio com estrutura em grau crítico documentada e recente. Dor comprovada e gestor identificado.
52 estruturas, leilão em dezembro de 2026. Quem arrematar herda um trecho sem inspeção pública desde 2023, com uma ponte nota 2 sobre o Paraíba do Sul e intervenção vencida desde 2024. O comprador vai querer saber o que está comprando antes de assinar. Janela de diligência pré-leilão.
O parecerista técnico que inspeciona a ponte já registrou por escrito, ao regulador, que os monitores de fissura encontrados naquela estrutura seriam providência "inócua". É sinal de resistência à instrumentação vinda de fora do circuito dele. Entrar pela engenharia tende a render parecer negativo: se for, é por operação ou diretoria.
Onde a fonte cala, declaramos. Não estimamos, não rateamos, não extrapolamos.
| O que falta | Por quê | Como resolve |
|---|---|---|
| A nota de inspeção atual da maioria das estruturas | O cadastro é público. A inspeção é fechada. | Pedido de acesso à informação redigido e pronto para protocolo |
| Quantas pontes a capital realmente tem | O número público conhecido (296) é de uma área de planejamento, não do município. Não localizamos inventário municipal completo | Relatório primário e pedido à prefeitura |
| Estruturas de Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Campos | Nenhum dado público. Não é opacidade: as prefeituras também não sabem | 4 pedidos de acesso à informação |
| Seis estruturas da BR-393 | Dois registros oficiais divergem e os sistemas de referência quilométrica são incompatíveis | Irresolvível com os dados atuais |
| Por que o edital de R$ 35,7 milhões foi suspenso | Nenhum aviso, nenhuma ata, nada no edital de 73 páginas, nada na imprensa | Pedido ao órgão estadual |
| O contrato da nova concessão da BR-393 | A ficha oficial do Ministério dos Transportes (15/04/2026) fixa Capex R$ 3,05 bi e Opex R$ 3,11 bi, edital set/2026 e leilão dez/2026. O contrato em si ainda não existe: o estudo está em vias de audiência pública | Consulta pública da ANTT, quando abrir |
| A extensão real de 86 estruturas | 84 estão com o campo em branco no cadastro e 2 têm valor fisicamente impossível registrado (917.138 m e 190.865 m). Não corrigimos nem estimamos o valor plausível | Incluído no pedido de acesso à informação |
| Quando o cadastro federal foi atualizado | Não existe campo de data. O registro irmão está marcado como 2018 | Incluído no pedido de acesso |
| Inventário da Ecoponte | Não publica contagem discreta de estruturas do trecho concedido | Anexo do contrato de concessão |
Este documento passou por auditoria interna e por duas rodadas de auditoria externa independente, que recheca do zero contra a fonte. As três rodadas terminaram em BLOCK, e esta versão incorpora as correções que elas exigiram, mais uma terceira trava de cobertura que reconferiu cada afirmação publicada contra o bloco de referências. O selo de aprovação final ainda não foi emitido · o que você lê é a versão corrigida, com as lacunas remanescentes declaradas na seção 16, não um documento liberado.
Nenhum quantitativo foi inferido, rateado ou extrapolado. Onde a fonte cala, está declarado como lacuna, com o caminho para obter o dado.
Todo número tem origem rastreável e data. Dado antigo é sinalizado como fotografia, não como condição atual.
Onde duas fontes oficiais divergem, as duas aparecem. Não escolhemos a mais conveniente.
Três contratos e uma tese inteira foram cortados desta entrega por não passarem na segunda trava. Preferimos entregar menos do que entregar errado.
Exemplos reais do que a auditoria cortou desta entrega: contratos que não fecharam na fonte, mantidos fora da entrega e listados na seção 18. Uma tese sobre um viaduto, porque a estrutura estava em obra e o argumento não se sustentava. E um claim de que o estado tinha zero programa de manutenção, que era falso: tem 30 estruturas em plano, paradas na gaveta.
Fonte, documento, data e página. O que não foi encontrado está na seção 16, com o caminho para obter.
vgeo:oae_sgo · CQL_FILTER=uf='RJ' → 709 OAEs (nacional 8.795). Endpoint servicos.dnit.gov.br/dnitgeo/geoserver/ows, aberto e sem autenticação · reprodução ao vivo pela auditoria externa em 15/07/2026/api/v1/inspecaoOae/ · retorno HTTP 401; view SGE responde "permission denied". Registrada como muro de acesso, não como ausência de dadocompras.rj.gov.br/EditaisLicitacoes/detalhar.action?idLic=36410 · confirmado visualmente em 15/07/2026 · status SUSPENSA · valor estimado R$35.712.988,15, homologado R$0,00 · Concorrência Eletrônica (Lei 14.133/2021), técnica e preço · publicação 27/03/2026 16:02 · propostas até 26/05/2026 10:30 · processo SEI-330002/049022/2025Consulta de 15/07/2026, órgão confirmado na fonte: SUP. REG. DO DNIT NO RIO DE JANEIRO. Total verificado: R$27.015.951,65.