Mapeamos 2.208 estruturas em quatro universos de gestão. Encontramos quatro pontes com risco tangível de colapso, nomeadas, com quilômetro e nota oficial. Encontramos 52 pontes órfãs, sem inspeção há dois anos e oito meses. E encontramos algo maior que qualquer uma delas: o cadastro oficial não bate com a realidade.
Cada camada tem gestor próprio, orçamento próprio e ciclo de decisão próprio. Quem vende para o estado precisa saber com quem está falando.
| Universo | Estruturas | Quem gere | Qualidade do dado |
|---|---|---|---|
| Federal concedido | ≥892 | 5 concessionárias | Inventário nominal com nota por estrutura |
| Federal direto | 114 | DNIT · SRE-RJ | Cadastro sim, nota quase toda fechada |
| Estadual | 1.203 | DER-RJ | Total declarado, sem inventário público |
| Municipal · capital | 296 vs 1.000+ | Prefeitura · SMI | Dois números oficiais conflitantes |
| Municipal · Niterói, S. Gonçalo, Caxias, Campos | ? | 4 prefeituras | Zero dado público |
Os 709 do cadastro federal e os ≥892 dos relatórios das concessionárias medem a mesma malha e não batem. A diferença é o achado da seção 07.
Cinco concessionárias federais operam a malha do Rio, e a soma dos investimentos previstos em contrato é de R$ 38,63 bilhões. Todas têm obrigação contratual de manter as estruturas, e todas respondem ao regulador com relatório anual. É dinheiro contratado, com prazo, e com fiscal.
| Concessionária | Grupo | Rodovia · trecho RJ | OAEs | Investimento | Fim |
|---|---|---|---|---|---|
| EcoRioMinas | EcoRodovias | BR-116, BR-465, BR-493 | 353 | R$ 11,3 bi | 2052 |
| CCR RioSP | CCR · Motiva | BR-116 Dutra + BR-101 Rio-Santos | 218 | R$ 14,83 bi | 2052 |
| Autopista Fluminense | Arteris | BR-101 Norte, 322 km | 212 | R$ 6,2 bi | 2048 |
| Elovias | Consórcio Nova Estrada Real | BR-040 + BR-495 | ≈109 | R$ 5,0 bi | 2055 |
| Ecoponte | EcoRodovias | Ponte Rio-Niterói | não publicado | R$ 1,3 bi | 2045 |
Investimentos conforme fonte oficial do regulador. Onde a imprensa diverge do regulador, adotamos o regulador. A Ecoponte não publica contagem discreta de estruturas: monitora a ponte fatiada em 12 trechos por faixa de pilares.
O DER-RJ abriu concorrência para inventariar e projetar a recuperação das 1.203 estruturas do estado. O certame está suspenso, sem vencedor, sem aviso que explique o motivo. Nada foi adjudicado. Detalhe na seção 13.
A BR-393 perdeu a concessionária e volta a leilão em dezembro de 2026. As 52 estruturas da seção 06 entram no contrato de quem ganhar, com o passivo acumulado em três anos sem inspeção pública.
O lote de inspeção que cobre o Rio executou 111 vistorias das 2.957 estruturas previstas em 2025.
Esta é a norma que rege o Rio de Janeiro. O edital do DER-RJ determina, textualmente, que a inspeção siga "as recomendações técnicas das normas pertinentes, em especial a NBR 9452-2023 Inspeção de Pontes, viadutos e passarelas de concreto da ABNT". Ela classifica cada estrutura de 0 a 5, e nota 1 não é rótulo administrativo: é a definição técnica de uma ponte que pode cair.
| Nota | Condição | O que significa |
|---|---|---|
| 0 | Emergencial | Há elementos estruturais principais já colapsados, evoluindo para instabilidade da estrutura. A obra não apresenta condições funcionais de uso. Exige intervenção imediata, que pode incluir restrição de carga, interdição de tráfego ou escoramento provisório. |
| 1 | Crítica | Há elementos com deterioração em regiões localizadas apresentando risco tangível de colapso, exigindo intervenção estrutural localizada e imediata. |
| 2 | Ruim | Deterioração relevante, com comprometimento de desempenho, mas sem risco tangível de colapso identificado. |
| 3 | Regular | Problemas presentes, sem sinais de comprometimento da estabilidade. |
| 4 | Boa | Danos pontuais, sem insuficiência estrutural. |
| 5 | Excelente | Sem danos nem insuficiência, nos parâmetros estrutural, funcional e de durabilidade. |
A NBR 9452:2023 avalia três parâmetros por estrutura: estrutural, funcional e de durabilidade. A nota final reflete o mais grave entre eles. As descrições acima resumem o conteúdo da norma; a íntegra é publicação licenciada da ABNT e não é reproduzida aqui.
Diferença que precisa estar clara. As notas das estruturas citadas neste relatório vêm dos relatórios oficiais de inspeção, que aplicam a escala do DNIT (010-PRO), de 1 a 5, sem o grau 0. A norma do estado, NBR 9452:2023, acrescenta a nota 0 (emergencial), para estrutura com elemento principal já colapsado. As duas escalas coincidem na direção e no significado do grau crítico: em ambas, nota 1 é "risco tangível de colapso". Nenhuma estrutura do Rio foi encontrada com nota 0 nas fontes públicas consultadas, o que não é o mesmo que dizer que não exista.
O que a norma manda fazer com uma ponte crítica. A recuperação, "geralmente com reforço estrutural, ou em alguns casos substituição da obra, deve ser feita sem tardar". E as medidas preventivas cabíveis são nominadas: "restrição de carga na ponte, interdição total ou parcial ao tráfego, escoramentos provisórios, instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações". A norma brasileira prescreve o monitoramento contínuo como medida para a estrutura em risco de colapso.
Ressalva do próprio órgão federal, que é justo registrar: "uma nota crítica ou ruim indica prioridade técnica para reparos, mas não significa que a segurança para o tráfego esteja obrigatoriamente comprometida". Nota não é interdição. Mas é o gatilho normativo da ação.
Nota 1, na NBR 9452:2023 e na escala do DNIT, é a mesma coisa: risco tangível de colapso. Dois achados independentes, de fontes, datas e administradores diferentes.
| Estrutura | km | Extensão | Relevância | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Ponte sobre o Rio Palmital | 5,81 | 33 m | Baixa | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto II | 11,12 | 33 m | Baixa | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto I | 14,60 | 40 m | Alta | 2 |
Fonte: relatório de gestão oficial do órgão federal. Avaliação de 2021, cinco anos atrás. É a nota mais recente publicamente disponível para estas estruturas, não a condição de hoje. As três estão na mesma rodovia, no mesmo trecho de 26 km, sob a mesma unidade local.
| Estrutura | km | Movimento | Motivo | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Passagem Inferior · Pista Sul | 22,120 | 4 → 1 | Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
| Passagem Inferior · Pista Sul | 22,150 | 4 → 1 | Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
Rebaixadas de nota 4 para nota 1 em inspeção extraordinária de 26 de setembro de 2025. Duas quedas de três níveis de uma vez, num trecho de apenas dez estruturas: 20% da BR-465 está em risco tangível de colapso. Únicas nota 1 confirmadas entre as quatro concessionárias auditadas. CCR RioSP e Ecoponte não foram fechados.
A concessão da BR-393 caducou em 2025: a concessionária não cumpriu os investimentos e perdeu o contrato. Os 182,5 km voltaram à administração direta do órgão federal. Com eles, 52 estruturas cujo último inventário público é de novembro de 2023. Abaixo, todas elas, uma a uma, com a nota do ciclo anterior e a nota atual.
A estrutura mais frágil do trecho é uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, no km 281+700. Ela recebeu nota 2 em duas inspeções consecutivas. Ou seja: a intervenção de curto prazo que a norma exige em até um ano não se refletiu em nenhuma melhora. A intervenção estava programada para 2024. Não há registro público de que tenha sido executada. Desde então a rodovia trocou de gestor e ninguém publicou nova inspeção.
| # | Estrutura | km | Nota anterior | Nota atual |
|---|
Inventário completo do relatório de monitoração, vistoria de campo entre 31 de outubro e 5 de novembro de 2023. Quatro estruturas melhoraram no ciclo, duas pioraram, 46 ficaram estáveis.
O critério não é nosso. É da norma. A NBR 9452:2023 e a norma do DNIT dizem, para cada grau, o que deve ser feito, e a instrumentação contínua está prescrita no texto. Aplicamos a regra da norma sobre o dado público e chegamos a este mapa.
Antes dos tiers, o número que define o mercado: apenas 59 das 709 estruturas federais do Rio têm nota pública. São 8%. São 7 na BR-354, publicadas pelo órgão federal, mais 52 na BR-393, do último relatório da concessionária que saiu. As outras 650 não têm avaliação conhecida. Não é que estejam boas: é que ninguém publicou. Não dá para saber quem precisa de monitoramento sem antes saber em que estado cada uma está.
Para nota 1, o texto normativo nomeia as medidas cabíveis: restrição de carga, interdição, escoramento provisório e instrumentação com leituras contínuas de deslocamentos e deformações. Não é sugestão comercial: é a conduta prevista.
| Estrutura | Rodovia · km | Gestor | Situação | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista Sul | BR-465 · 22,120 | EcoRioMinas | Caiu de 4 para 1 em inspeção extraordinária de 26/09/2025. Fissuras sistemáticas em vigas | 1 |
| Passagem Inferior · Acesso AMBEV · Pista Sul | BR-465 · 22,150 | EcoRioMinas | Idem. Duas quedas de três níveis num trecho de dez estruturas | 1 |
| Ponte sobre o Rio Palmital | BR-354 · 5,81 | DNIT | Nota de 2021. Sem reavaliação pública desde então | 1 |
| Ponte sobre o Rio Salto II | BR-354 · 11,12 | DNIT | Nota de 2021. Sem reavaliação pública desde então | 1 |
Nota 2 exige recuperação em até um ano da última inspeção, e a norma recomenda inspeções intermediárias para monitorar a evolução. Nas duas, o prazo passou.
| Estrutura | Rodovia · km | Gestor | Situação | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Ponte sobre o Rio Paraíba do Sul | BR-393 · 281+700 | DNIT · órfã | Nota 2 em duas inspeções seguidas. Intervenção programada para 2024, sem registro de execução. Sem inspeção pública há 2 anos e 8 meses | 2 |
| Ponte sobre o Rio Salto I | BR-354 · 14,60 | DNIT | Relevância alta declarada pelo próprio órgão. É a única das sete da BR-354 com esse grau de importância. Nota de 2021 | 2 |
Para nota 3, o texto normativo diz: "recomenda-se acompanhar a evolução dos problemas através das inspeções rotineiras, para detectar, em tempo hábil, um eventual agravamento da insuficiência estrutural". Acompanhar evolução em tempo hábil é a definição funcional de monitoramento. São 18 estruturas, todas na BR-393, todas sem inspeção há 2 anos e 8 meses.
| Estrutura | km | Nota |
|---|
Das 650 sem avaliação pública, estas são as que combinam porte acima de 100 metros com travessia de rio principal. Porte grande e curso d'água elevam tanto a exposição a socavamento e cheia quanto a consequência de uma falha. É proxy de risco, não é nota: nenhuma delas foi avaliada publicamente.
| Estrutura | Rodovia · km | Extensão | Gestor |
|---|
Sem caixa-preta. O critério de cada tier vem do texto da norma, não de opinião:
A norma nomeia instrumentação com leituras contínuas entre as medidas cabíveis. Peso máximo: é conduta prescrita para risco tangível de colapso.
Recuperação exigida em até 1 ano, com inspeções intermediárias recomendadas. Entram as que já estouraram o prazo.
A norma manda detectar agravamento "em tempo hábil". Entra quem não é inspecionado há mais de 24 meses, porque tempo hábil deixou de existir.
Proxy declarado: extensão maior que 100 m somada a travessia de rio principal. Sem nota, não afirmamos condição. Ordenamos por consequência.
A conclusão que o mapa entrega: 24 estruturas têm necessidade de monitoramento sustentada por texto normativo, e outras 14 por consequência. Mas o número que importa é o 650. O primeiro produto vendável ao Rio de Janeiro não é monitorar ponte. É descobrir quais precisam. Sem nota, o gestor não licita, não prioriza e não justifica orçamento. É o mesmo motivo pelo qual 30 estruturas do estado estão com plano de manutenção pronto e parado na gaveta desde 2024.
Na malha federal concedida do Rio, os relatórios que as concessionárias entregam ao regulador somam pelo menos 892 estruturas. O cadastro do órgão gestor conhece 560.
332 estruturas de diferença. São pontes e viadutos que existem, são inspecionados, geram relatório oficial, e não constam no cadastro de quem responde por eles. Não é estimativa: é a soma de quatro concessionárias, uma a uma, contra o registro oficial.
Isso são 917 quilômetros. A ponte tem 13,29 km. O registro oficial da estrutura mais conhecida do Brasil está errado por um fator de 69.
O viaduto vizinho, no km 333 da mesma rodovia, aparece com 190.865 metros. São os dois únicos valores absurdos entre 625 preenchidos, e calharam de ser justamente os da estrutura-símbolo do estado.
O Tribunal de Contas da União reprovou este mesmo cadastro por erro material ao cancelar o programa nacional de recuperação de pontes de 2011: encontrou estruturas registradas com número de vãos e largura errados.
As duas passagens inferiores da BR-465 que a concessionária classificou como nota 1 em setembro de 2025 não têm correspondente identificável no cadastro oficial. Elas são reportadas ao regulador nos quilômetros 22,120 e 22,150. O cadastro registra doze estruturas nessa rodovia, e nenhuma é passagem inferior nesses quilômetros: as mais próximas são viadutos em 21,73, 21,76 e 22,76.
Duas leituras possíveis, e nenhuma é boa. Ou as estruturas não constam do cadastro, ou constam sob nomenclatura e quilometragem que impedem qualquer cruzamento automático. Nos dois casos, quem consulta o registro oficial para saber onde estão as pontes críticas do Rio de Janeiro não encontra as duas piores da malha concedida. Registramos como divergência entre fontes, não como afirmação de ausência: a reconciliação exige o inventário nominal da concessionária, que não é público.
Por que isso importa comercialmente: quem não sabe o que tem sob custódia não consegue priorizar manutenção, dimensionar orçamento, nem sequer redigir o edital de inspeção. O quantitativo é o primeiro campo de qualquer contratação. É por isso que o primeiro entregável vendável ao Rio de Janeiro não é inspeção. É o censo.
São 114 estruturas sob administração federal direta no Rio: 67 no cadastro, mais as 47 da BR-393 que voltaram com a caducidade da concessão. É a menor das quatro camadas. Também é, de longe, a mais conhecida.
Por que "cerca de": as avaliações da BR-393 vêm do relatório da concessionária que saiu (52 estruturas), enquanto o cadastro do órgão registra 47 no mesmo trecho. A divergência de 6 estruturas entre as duas fontes é real e está declarada na seção 16. Conforme a base adotada, a cobertura fica entre 47% e 50%. Não escolhemos o número mais favorável: fica a faixa.
Isso inverte a leitura óbvia. Uma proposta ao DNIT não começa do zero: começa com cerca de metade do parque já avaliado, e com a dor documentada pelo próprio órgão.
Oito estruturas no cadastro. Sete avaliadas. Três delas em nota 2 ou pior. Num único trecho de 26 quilômetros, sob uma única unidade local.
43% das estruturas avaliadas da BR-354 estão em nota 2 ou pior, e a última avaliação é de 2021. Cinco anos sem reavaliação pública de uma rodovia onde duas pontes já estavam classificadas com risco tangível de colapso. A terceira, o Rio Salto I, é a única das sete que o próprio órgão marcou como relevância alta.
A concessionária perdeu o contrato por não investir. Os 182,5 km voltaram à administração direta em junho de 2025, e com eles todo o passivo estrutural.
O último inventário é de novembro de 2023, feito pela concessionária que saiu. Ninguém publicou nova avaliação desde a reversão.
Uma nota 2 com intervenção vencida desde 2024, mais 18 nota 3 que exigem detecção de agravamento em tempo hábil. Tempo hábil deixou de existir.
O leilão da nova concessão está previsto para dezembro de 2026, com investimento estimado em R$ 6 bilhões. Até lá, o DNIT responde pelas 52.
Dor documentada pelo próprio órgão. Metade do parque tem nota, duas estruturas em risco de colapso, 30 planos prontos e parados, e uma rodovia inteira órfã. Nada disso precisa ser provado ao gestor: ele já publicou.
A norma nova abriu a porta. A instrução normativa de 2026 que reestruturou o programa de pontes incorpora monitoramento e inteligência artificial ao texto, e define monitoramento como coleta por "instrumentos, sensores ou inspeções periódicas".
Não há verba preventiva alocada. Zero estrutura do Rio no programa nacional de reabilitação. O dinheiro que se move é emergencial e vai para talude e drenagem. Quem não compra manutenção preventiva dificilmente compra monitoramento.
O federal já contratou a tese concorrente. Existe contrato nacional de monitoramento de 5.300 pontes por satélite, sem sensor físico. Não é um vazio: é uma escolha de arquitetura já feita e paga.
O que isso significa para a proposta. O ângulo com o DNIT não é vender monitoramento contra o satélite, e não é vender manutenção onde não há rubrica. É o que o satélite não faz e a norma exige: medir o comportamento da estrutura sob tráfego, sem interdição, para as estruturas que o próprio órgão já classificou como críticas. São quatro alvos nomeados, dois deles nota 1, todos com endereço, quilômetro e unidade local identificada.
Nomeadas, com rodovia, quilômetro, tipo, extensão, administrador e nota. Busque por nome, rio, rodovia ou quilômetro. Ordene por qualquer coluna. As estruturas em nota 2 ou pior estão marcadas em vermelho, e o filtro isola só elas: são o alvo direto de proposta.
| BR ↕ | km ↕ | Estrutura ↕ | Tipo ↕ | Extensão ↕ | Gestão ↕ | Nota ↕ |
|---|
Sobre a coluna Nota: só 7 das 709 têm nota que casa com o cadastro por código oficial, todas na BR-354, todas sob DNIT, todas com avaliação de 2021. As 52 da BR-393 têm nota mas usam sistema de quilometragem incompatível com o cadastro, e estão listadas na seção 06. As 2 estruturas nota 1 da BR-465 não têm correspondente identificável no cadastro (ver seção 08). "Sem nota" quer dizer sem avaliação pública, não estrutura boa.
Extensão em branco: campo não preenchido no cadastro oficial (84 das 709). Marcado como dado inválido: valor fisicamente impossível registrado na fonte. Largura não é exibida por estar ausente em 58% da base.
Cem por cento da base tem latitude e longitude. Cada ponto abaixo é uma estrutura real, posicionada. Cor por administrador.
Projeção simples sobre as coordenadas do cadastro. A concentração no litoral acompanha a BR-101; o eixo diagonal é a BR-116 subindo para Minas.
Este é o método de monitoramento da maior ponte do país, descrito pela própria empresa responsável, em relatório oficial entregue ao regulador em agosto de 2025.
"A vistoria foi realizada exatamente como das vezes anteriores, mediante o uso de escada telescópica e de abrir, e potentes lanternas [...] verificando o estado das referências em gesso."
Relatório de monitoração entregue ao regulador federal · agosto de 2025
Selo de gesso: cola-se uma estampa de gipsita sobre a junta e observa-se, a olho nu, se ela trincou. É o estado da arte contratado em 2025.
"Chamou-nos a atenção o fato de terem sido instalados monitores de fissura [...] situação jamais observada [...] A empresa desconhece a finalidade dessa sistemática, e entende que tal providência é inócua."
Mesmo relatório · sobre instrumentação encontrada na estrutura
Duas leituras. Alguém já instala sensores nessa ponte por fora do circuito de quem a inspeciona há dez anos. E quem assina o parecer técnico considera a instrumentação inútil, por escrito, num documento entregue ao regulador.
Duas empresas de engenharia assinam a inspeção de OAE de três das cinco concessionárias do estado. Não é mercado pulverizado: é um punhado de escritórios que se repete.
O texto normativo diz "sensores ou inspeções periódicas". O "ou" permite que a inspeção visual bienal satisfaça 100% da exigência legal, que é o caminho mais barato e o que já está contratado.
Os dois maiores contratos de monitoramento de ponte do Brasil são explicitamente sem sensor físico. Quem entra com instrumentação in loco cria mercado, não captura.
| Estrutura | Município | Situação | Desde |
|---|---|---|---|
| Ponte Barcelos Martins | Campos dos Goytacazes | Interditada Colapso parcial de pilares e tabuleiro. Recalque diferencial no vão central após cheia do Rio Paraíba do Sul. Estrutura de 1927, entre 15 e 30 mil veículos por dia. O Estado contrataria a empreiteira em julho de 2026. | fev/2026 |
| Ponte da Ilha do Caju | Niterói | Interditada Ponte de madeira sobre a Baía de Guanabara. Quatro ofícios do conselho de engenharia e ação civil pública contra a prefeitura. Licitação de R$ 21,4 milhões com impugnação deferida. | jan/2026 |
| BR-495 · km 21,77 | Petrópolis ↔ Teresópolis | Interditada 40+ dias Muro de contenção cedeu e metade da pista afundou. | fev/2026 |
| BR-393 · km 8,99 | Volta Redonda | Reincidente Dois contratos emergenciais no mesmo quilômetro: cratera e, dez meses depois, drenagem. A primeira contenção não resolveu a causa. | vigente |
| 9 passarelas com risco de ruptura | Capital | Risco apontado De 41 estruturas vistoriadas pelo controle externo, de um universo de 296. Outras 17 com risco de queda de material. 131 não recebiam inspeção desde antes de 2015. | 2023 |
Verificamos, contrato a contrato na fonte oficial, R$ 27.015.951,65 em obras emergenciais do órgão federal no Rio entre 2024 e 2025. Nenhuma delas é obra de arte especial: são cratera, drenagem e contenção.
| Contrato | Objeto | Valor | Natureza |
|---|---|---|---|
| 00798/2024 | Contenção de cratera · Contorno de Volta Redonda | R$ 12.980.460,77 | Geotecnia |
| 00837/2025 | Drenagem · mesmo km 8,99, dez meses depois | R$ 12.218.236,78 | Geotecnia |
| 00393/2024 | Obra de emergência | R$ 1.029.825,98 | Emergência |
| 00171/2024 | Obra de emergência | R$ 787.428,12 | Emergência |
O programa nacional de reabilitação de pontes nomeia 74 estruturas no país. Nenhuma é do Rio de Janeiro.
Existem 30 estruturas do estado com plano de manutenção pronto e encaminhado à superintendência desde 2024. Não licitado.
São 486 km sob gestão federal direta no estado. Um deserto de obra de ponte em 486 km não é anomalia: é o tamanho da amostra.
O problema do Rio não é a fila de manutenção. É que o estado não está na fila. Sem cadastro confiável, ninguém dimensiona a necessidade. Sem necessidade dimensionada, não se cria rubrica. Sem rubrica, a manutenção só acontece depois que a estrutura falha.
Ordenados por temperatura, não por tamanho. O maior universo nem sempre é a melhor porta.
114 estruturas, cerca de metade com nota, e as duas piores do estado. É o universo mais documentado do Rio: a dor já está publicada pelo próprio órgão. A BR-354 tem 43% das avaliadas em nota 2 ou pior, com avaliação congelada em 2021. A BR-393 herdou 52 estruturas órfãs sem inspeção há 2 anos e 8 meses. Contra: não há rubrica preventiva e o federal já contratou monitoramento por satélite em escala nacional. O ângulo é o que o satélite não faz e a norma exige. Detalhe na seção 09.
1.203 estruturas. R$ 35,7 milhões em jogo. O edital compra inventário, BIM e diagnóstico, e remete a instrumentação com acelerômetros e extensômetros a um contrato futuro e separado. Quem vencer escreve a especificação desse contrato e vira dono do modelo. O certame está suspenso: nada foi adjudicado e o relógio parou. A porta é ser parceiro de um licitante, não vender ao órgão.
353 estruturas no estado, e duas em risco de colapso agora. As duas nota 1 foram detectadas em inspeção extraordinária de setembro de 2025, com fissuras sistemáticas em vigas. É a única concessionária do Rio com estrutura em grau crítico documentada e recente. Dor comprovada, gestor identificado, verba contratada de R$ 11,3 bilhões.
52 estruturas, leilão em dezembro de 2026, R$ 6 bilhões. Quem arrematar herda um trecho sem inspeção pública desde 2023, com uma ponte nota 2 sobre o Paraíba do Sul e intervenção vencida desde 2024. O comprador vai querer saber o que está comprando antes de assinar. Janela de diligência pré-leilão.
Único ativo do estado com sensor, BIM e IA em implantação, verba própria e criticidade máxima. Mas o parecerista técnico que inspeciona a ponte há dez anos já registrou por escrito, ao regulador, que instrumentação é "inócua". Entrar pela engenharia garante parecer negativo. Se for, é por operação ou diretoria.
Onde a fonte cala, declaramos. Não estimamos, não rateamos, não extrapolamos.
| O que falta | Por quê | Como resolve |
|---|---|---|
| A nota de inspeção atual da maioria das estruturas | O cadastro é público. A inspeção é fechada. | Pedido de acesso à informação redigido e pronto para protocolo |
| Quantas pontes a capital realmente tem | Dois números oficiais conflitantes, com dez anos de distância, nunca reconciliados | Relatório primário da auditoria de 2022 |
| Estruturas de Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Campos | Nenhum dado público. Não é opacidade: as prefeituras também não sabem | 4 pedidos de acesso à informação |
| Seis estruturas da BR-393 | Dois registros oficiais divergem e os sistemas de referência quilométrica são incompatíveis | Irresolvível com os dados atuais |
| Por que o edital de R$ 35,7 milhões foi suspenso | Nenhum aviso, nenhuma ata, nada no edital de 73 páginas, nada na imprensa | Pedido ao órgão estadual |
| Quando o cadastro federal foi atualizado | Não existe campo de data. O registro irmão está marcado como 2018 | Incluído no pedido de acesso |
| Inventário da Ecoponte | Não publica contagem discreta: monitora a ponte fatiada em 12 trechos por faixa de pilares | Anexo do contrato de concessão |
Cada número aqui passou por auditoria interna e auditoria externa independente, que recheca do zero contra a fonte. As duas travas reprovaram a primeira versão deste documento. O que você está lendo é o que sobreviveu.
Nenhum quantitativo foi inferido, rateado ou extrapolado. Onde a fonte cala, está declarado como lacuna, com o caminho para obter o dado.
Todo número tem origem rastreável e data. Dado antigo é sinalizado como fotografia, não como condição atual.
Onde duas fontes oficiais divergem, as duas aparecem. Não escolhemos a mais conveniente.
Três contratos e uma tese inteira foram cortados desta entrega por não passarem na segunda trava. Preferimos entregar menos do que entregar errado.
Exemplos reais do que a auditoria cortou desta entrega: um total de R$ 60,4 milhões em contratos, porque só 4 dos 7 fecharam na fonte. Uma tese sobre um viaduto, porque a estrutura estava em obra e o argumento não se sustentava. E um claim de que o estado tinha zero programa de manutenção, que era falso: tem 30 estruturas em plano, paradas na gaveta.